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Política

Governo vê desgaste entre autônomos com crise do Pix e prepara contraofensiva de olho em popularidade

FolhaPress 19/01/2025 13:52

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governo Lula (PT) percebeu um aumento da insatisfação de autônomos e empreendedores após a crise do Pix na última semana, e prepara agora uma campanha com foco nesse público.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Na avaliação de aliados do presidente, o diálogo com o segmento já era difícil e piorou ainda mais com a disseminação de fake news sobre a taxação dessas operações.

Na noite da última sexta-feira (17), a Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência) avisou às agências encarregadas da publicidade do governo sobre a encomenda de uma campanha de esclarecimento.

O conceito da propaganda ainda será encaminhado, mas, segundo o que já foi informado, será direcionada ao segmento mais sensível à medida, que são os empreendedores.

Essa não é a primeira vez que Lula é obrigado a desmentir falsas informações endereçadas ao segmento. Em 2022, o petista teve que negar a afirmação, reproduzida pelo então presidente, Jair Bolsonaro (PL), de que acabaria com a categoria de empreendedor individual (MEI).

À época, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) determinou a remoção de postagens de aliados de Bolsonaro que repetiam a desinformação.

Agora, com a crise do Pix, o governo viu que perdeu o debate. Por isso, decidiu recuar. Mas há ainda a avaliação de que o estrago com esse público não ficou apenas no recuo.

SESC PICASSO

Uma ala de aliados de Lula diz que a medida da Receita sequer deveria ter sido feita, que teve um caráter burocrático e que não houve devido cálculo político.

A avaliação é de que nem a equipe econômica teve noção do impacto que haveria. O tema não foi debatido com a Casa Civil ou mesmo com o ministério de Micro e Pequena Empresa, de Márcio França.

Outra ala diz que a forma como ela foi divulgada foi equivocada. Era preciso primeiro articular com pessoas ou instituições que pudessem ajudar nesse diálogo com a população.

Um integrante do governo cita, por exemplo, o nome da influenciadora Nath Finanças, que é membro do Conselhão.

Antes de assumir a Secom, na terça-feira, Sidônio Palmeira tinha encomendado às agências encarregadas da comunicação do governo uma campanha de esclarecimento sobre as novas regras de monitoramento da Receita de transações por Pix.

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Um dia antes da posse de Sidônio, o ministério solicitou às agências a apresentação de uma estratégia de comunicação digital para combate a fake news a cerca da falsa informação sobre taxação do sistema de pagamento.

Na noite de quinta-feira (16), após a revogação da medida, no entanto, a Secom informou à Calia, agência escolhida para a empreitada, que a campanha tinha sido cancelada. As agências foram orientadas a aguardar nova solicitação.

Desde a campanha eleitoral, já é considerado um desafio a comunicação e a implementação de medidas para os empreendedores e autônomos, hoje próximos ao discurso do bolsonarismo.

Um auxiliar de Lula relembra o episódio envolvendo, por exemplo, a regulamentação dos trabalhadores de aplicativo de transporte. Era uma promessa de campanha do petista, mas a medida enfrentou forte resistência.

O programa foi lançado mesmo após alertas de integrantes do governo de que a proposta poderia não ser bem aceita pelo segmento. A avaliação desses interlocutores de Lula é de que o governo ainda tem dificuldade em dialogar com esse novo perfil de trabalhador.

No ano passado, mais uma vez o governo se viu diante da dificuldade de dialogar com esse público durante a campanha eleitoral de São Paulo.

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O então candidato Pablo Marçal (PRTB) teve desempenho melhor nas periferias por ter uma plataforma com discurso voltado para o empreendedorismo.

Durante a campanha, Lula foi à capital paulista realizar cerimônia de balanço e novos anúncios do Acredita, programa que amplia a oferta de crédito para empreendedores e famílias de baixa renda.

Sancionada na semana anterior, a medida não teve evento de lançamento por falta de agenda, mas foi chamada por Lula de "maior programa de crédito já feito na história deste país para pequeno e médio empresário".

A oposição explorou, no caso do Pix, justamente a possibilidade de microempreendedores caírem na malha fina da Receita Federal com a nova medida.

Integrantes da Fazenda buscaram desarmar essa informação reforçando que o foco era no crime e nas irregularidades, não no pequeno comerciante. Mas ganhou tração essa versão, sobretudo após o vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

O alerta para organizar a oposição veio do marqueteiro da campanha de Bolsonaro em 2022, Duda Lima. Ele deu o tom para que os ataques à medida focassem nos empreendedores.

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