Plano deverá atender 2,4 mil empresas responsáveis por cerca de 18% das exportações brasileiras ao mercado norte-americano
O governo federal anunciou a retomada do programa de apoio aos setores empresariais atingidos pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. A cobrança entra em vigor na quarta-feira, 22 de julho.
O plano deverá incluir linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de medidas para ajudar as empresas a encontrar novos compradores e ampliar a venda dos produtos em outros mercados.
Os setores mais atingidos são os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.
Segundo estimativas da Secretaria de Comércio Exterior, cerca de 2,4 mil empresas serão diretamente afetadas. Juntas, elas respondem por aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, considerando os valores registrados em 2024.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo dará prioridade ao atendimento dos setores atingidos e trabalhará para reduzir os efeitos da nova cobrança.
Em 2025, esses segmentos exportaram US$ 5,5 bilhões para o mercado norte-americano. Mais da metade da pauta brasileira destinada aos Estados Unidos ficou fora da tarifa adicional, incluindo carnes, café, óleos e produtos ligados à aviação.
A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras, que era de 12,1% em 2025, recuou para 9,4% em 2026. O governo pretende reforçar a diversificação dos mercados para diminuir a dependência das vendas ao país. (Agência Gov)
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo também estudará a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica. A norma permite ao Brasil adotar contramedidas diante de ações unilaterais de outros países que prejudiquem a competitividade nacional.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que as medidas de socorro deverão envolver valores inferiores aos disponibilizados no programa anterior, já que a lista de produtos isentos da tarifa foi ampliada.
O governo brasileiro rejeita as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a cobrança e sustenta que as alegações não são apoiadas por dados técnicos.
Entre os pontos questionados pelo governo norte-americano está o Pix. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o sistema de pagamentos não prejudicou as empresas de cartões de crédito.
Segundo Galípolo, o mercado de cartões cresceu 150% desde a implantação do Pix. Para ele, o sistema reduziu principalmente o uso de dinheiro em espécie e cheques, sem impedir a expansão de outros meios de pagamento.
O governo dos Estados Unidos também citou questões relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, mercado de etanol, combate à corrupção, desmatamento e comércio ilegal de madeira.
O governo brasileiro contesta essas acusações. O Ministério do Meio Ambiente afirmou que o desmatamento na Amazônia foi reduzido pela metade nos últimos três anos.
Fonte: Agência Brasil e Agência Gov