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Economia

Governo central tem déficit de R$ 44,2 bi em junho, 4º pior da série

FolhaPress 30/07/2025 18:29

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - As contas do governo central registraram um resultado negativo de R$ 44,2 bilhões em junho de 2025, informou nesta quarta-feira (30) o Tesouro Nacional. O déficit é 8,5% maior do que um ano atrás e também o quarto pior da série histórica (já considerando dados atualizados pela inflação).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O número é observado mesmo após uma expansão real de 2,1% nas receitas, para R$ 218,4 bilhões. Entre os principais destaques, está o maior ganho com Imposto de Renda (mais R$ 4,6 bilhões) e o IOF (mais R$ 2,3 bilhões).

O avanço nas receitas, no entanto, se deu nas chamadas receitas administradas (onde estão os impostos e tributos), que precisam em grande parte ser repartidas com estados e municípios. Quando retirado da conta esse repasse, o que resulta na chamada receita líquida, o valor caiu 0,1%, para R$ 169 bilhões.

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Já na arrecadação não administrada, houve queda expressiva de 23%, para R$ 20,3 bilhões. Entre os motivos, a redução real de 68% com dividendos, devido a menores recebimentos de Petrobras (menos R$ 4,4 bilhões na comparação) e Banco do Brasil (menos R$ 782 milhões).

Já as despesas registraram um avanço real de 1,6%, para R$ 213,3 bilhões. De acordo com o Tesouro, a expansão decorreu principalmente dos Benefícios Previdenciários (mais R$ 5,7 bilhões), devido ao aumento real do salário mínimo e ao crescimento do quantitativo de beneficiários.

Também houve aumento do BPC (Benefícios de Prestação Continuada, com mais R$ 1,2 bilhão na comparação com um ano antes) e na rubrica de Abono e Seguro Desemprego (mais R$ 1,6 bilhão).

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O avanço das despesas são observadas principalmente nas despesas obrigatórias. Nas discricionárias, sobre as quais o governo tem poder de decisão, observaram uma retração de R$ 7,7 bilhões, sobretudo em Saúde (menos R$ 4,4 bilhões na comparação) e Educação (menos R$ 1,4 bilhão). As contas do governo central incluem Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social.

Apesar do resultado do mês, o déficit no acumulado do ano apresentou redução em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado ficou negativo em R$ 11,5 bilhões, frente a R$ 67,4 bilhões no vermelho no mesmo período de 2024 (em termos nominais).

Nesse caso, contaram para a melhora o fato de, no ano passado, o governo ter gasto R$ 7,4 bilhões em crédito extraordinário para enfrentar as enchentes do Rio Grande do Sul. Além disso, há diferença no cronograma de pagamento de precatórios (despesas que decorrem de decisões judiciais).

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LIMITE DE GASTOS

Com o fechamento das contas do semestre, o Tesouro Nacional já sabe qual o limite máximo de expansão de despesas permitido pelo arcabouço fiscal em 2026. Isso porque a variação depende da verificação das receitas até o meio do ano anterior.

De acordo com o Tesouro, a expansão nominal em 2026 pode ser de até 7,98% em relação a 2025. Já o percentual de avanço real fica limitado ao máximo previsto no arcabouço, de 2,5%.

O governo ainda depende de certas variáveis para calcular o valor exato de despesas permitidas pelo arcabouço no ano que vem, mas prevê no principal cenário que o valor fique em no máximo R$ 2,427 trilhões.

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