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Governo avisa a Motta e Alcolumbre que não pode abrir mão de decreto do IOF

FolhaPress 09/07/2025 13:31

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Reunidos na noite de terça-feira (8) em Brasília, ministros informaram aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que o governo não pode prescindir do decreto que aumentou alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e que acabou derrubado pelo Congresso.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Seguindo orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) defenderam em conversa com os presidentes das Casas a constitucionalidade do decreto.

Eles sinalizaram que esse deverá ser o argumento do governo durante reunião conciliatória convocada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Relator das ações que tratam dos decretos na corte, Moraes convocou a reunião para o dia 15. Ainda segundo relatos, os emissários do governo lembraram que será necessário promover novos cortes de despesas, incluindo emendas parlamentares, caso o decreto não seja revalidado pelo STF.

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Motta afirmou à reportagem após o encontro com os ministros que o foco foi a retomada das conversas, mas sinalizou que não houve "nada definido".

Antes da reunião, os ministros estiveram com o presidente. Lula determinou que o governo não levasse o tema do IOF para uma mesa de negociação com o Congresso. A ordem do presidente foi discutir o teor do decreto apenas na audiência de conciliação convocada pelo STF.

O objetivo, segundo um integrante do governo, é concentrar as discussões no questionamento da constitucionalidade do decreto e evitar que a mediação seja contaminada pela disputa política com o Congresso.

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Apesar da disposição do governo em manter o decreto editado por Lula, auxiliares do presidente consideram possível que o STF opte por um caminho de modulação, que preserve a maior parte dos dispositivos, mas considere outros inválidos.

A reunião, segundo relatos de presentes, se deu num ambiente de retomada das conversas entre governo e Congresso sobre medidas econômicas. Os dois lados se dispuseram a negociar os termos da medida provisória que eleva a tributação de aplicações financeiras, bets e fintechs, entre outras iniciativas.

Além disso, o governo vai discutir com os parlamentares propostas de redução de benefícios tributários que estão em tramitação no Congresso. Integrantes da equipe de Lula acenam com a disposição de participar da discussão de um projeto da Câmara que trata do assunto, em vez de enviar um novo texto, de autoria do governo, no segundo semestre.

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Mas, na reunião, lembraram que a reoneração exige prazo de quarentena, o que possibilitaria a retomada de arrecadação só no fim do ano. Um dos argumentos usados pela Fazenda é que a finalidade do decreto é evitar sonegação, sendo a receita uma decorrência da medida.

Essa foi a primeira reunião da equipe econômica após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de suspender o decreto do IOF e o decreto legislativo aprovado pelo Congresso que derrubou a alta do imposto.

Novos encontros entre a equipe de Lula e a cúpula do Congresso podem ocorrer nos próximos dias, antes da audiência no STF, mas o plano é seguir a ordem de Lula para manter a questão do IOF fora das discussões políticas.

Além dos ministros, os líderes do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), e do Senado, Jaques Wagner (PT-BA), participaram da reunião.

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