Lula diz que decisão pode ser tomada ainda nesta semana; reunião reuniu relatos sobre endividamento, dependência, impactos na saúde e prejuízos às famílias
O governo federal deve definir nos próximos dias novas medidas para enfrentar os impactos das apostas eletrônicas no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (1º) que considera a possibilidade de uma decisão mais rígida sobre o setor depois de ouvir representantes da sociedade civil no Palácio do Planalto.
A reunião reuniu entidades ligadas à proteção de crianças e adolescentes, saúde, comércio, economia e cultura. Integrantes do governo ouviram propostas que foram desde o endurecimento da fiscalização até a proibição das plataformas de apostas no país.
Lula afirmou que o governo vem discutindo alternativas para reduzir os problemas provocados pelas bets e que pretende convocar uma nova reunião ainda nesta semana para avaliar as medidas.
O presidente classificou as apostas eletrônicas como um problema social e disse que, apesar das tentativas de regulamentação e combate às operações clandestinas, o alcance do mercado ilegal continua sendo um dos principais desafios.
Relatos de dívidas e prejuízos às famílias
Durante o encontro, participantes relataram situações de endividamento provocadas por apostas, além de impactos sobre o orçamento doméstico e o comércio.
Um dos relatos apresentados ao governo envolveu uma família cuja filha teria contraído dívida com agiota após perder dinheiro em plataformas de apostas.
Representantes do setor comercial também apontaram aumento da inadimplência associado ao direcionamento de parte da renda das famílias para jogos eletrônicos.
Entre as sugestões apresentadas esteve a criação de uma estrutura específica no governo para ampliar o combate às plataformas clandestinas.
Dependência preocupa área da saúde
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou informações sobre a procura pelo Sistema Único de Saúde por pessoas com problemas relacionados às apostas.
Segundo Padilha, a demanda por atendimento cresceu de forma significativa. Ele afirmou ainda que 55% das pessoas que procuram tratamento são mulheres, embora os homens representem parcela maior entre aqueles que apostam.
O Ministério da Saúde disponibiliza atendimento para dependência em jogos também por meio da plataforma SUS Digital, que permite iniciar o acompanhamento e o planejamento terapêutico.
O ministro informou ainda que Brasil, Espanha e Canadá participam de discussões internacionais sobre o enfrentamento dos problemas de saúde associados às apostas.
R$ 62,5 bilhões perdidos em um ano
Outro dado que amplia a preocupação do governo envolve o impacto financeiro das bets sobre as famílias brasileiras.
Estimativas divulgadas anteriormente apontam que os brasileiros tiveram perda líquida de aproximadamente R$ 62,5 bilhões com apostas em 2025. O cálculo considera a diferença entre o dinheiro destinado às plataformas e os valores devolvidos aos apostadores na forma de prêmios.
Considerando o período entre outubro de 2024 e março de 2026, as perdas correspondem a uma média próxima de R$ 4,7 bilhões por mês.
No mesmo intervalo, as transferências realizadas por Pix para empresas de apostas movimentaram aproximadamente R$ 351 bilhões.
Mercado ilegal continua como desafio
Apesar da regulamentação das apostas de quota fixa no país, plataformas clandestinas continuam operando fora das regras estabelecidas pelo governo.
Lula afirmou que bloquear dezenas de milhares de sites ilegais é uma tarefa complexa e mencionou também a influência da publicidade feita por artistas e personalidades na expansão das apostas.
A discussão agora envolve até onde o governo poderá avançar sem provocar efeitos jurídicos, econômicos e regulatórios adicionais.
A decisão poderá incluir novas restrições à publicidade, reforço da fiscalização, bloqueio de plataformas ilegais, medidas de proteção aos consumidores ou mudanças mais profundas nas regras do mercado.
Até o momento, porém, nenhuma nova medida foi oficialmente anunciada.
Fonte: Agência Brasil e declarações do governo federal.