Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 12h27m
Vitória News — Um jornal de verdade
Política

Governistas reconhecem derrota, temem anistia geral e apostam em redução de penas

FolhaPress 18/09/2025 07:33

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Deputados aliados de Lula (PT) e integrantes do governo reconheceram a derrota imposta pela Câmara com a aprovação do avanço da proposta de anistia aos condenados por atos golpistas. Eles apostam, no entanto, num acordo com o centrão para discutir somente a redução de penas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Grupos governistas avaliam que a aprovação da proposta nesta quarta-feira (17), resultado de uma aliança do centrão com a direita, dá fôlego para que bolsonaristas tentem emplacar uma anistia ampla, buscando livrar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da prisão.

Aliados de Lula lançam dúvidas sobre a capacidade do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de conter a oposição e cumprir um acordo firmado com alas do Supremo Tribunal Federal (STF) para rejeitar a anistia e aprovar apenas a redução de penas. Esses governistas não escondem uma frustração com a postura de Motta, ainda que não falem em rompimento com o parlamentar.

Na noite desta quarta-feira, a Câmara aprovou o requerimento de urgência para a anistia com 311 votos favoráveis e 163 contrários. Partidos com representação na Esplanada petista foram responsáveis por 58% dos votos que levaram à aprovação do texto.

A partir de agora, os parlamentares discutirão se aprovarão um perdão amplo, que envolva até Bolsonaro, ou uma redução das penas, como negociado nos bastidores com alas do Supremo.

SESC PICASSO

Como a Folha de S.Paulo mostrou, integrantes do centrão fecharam de forma sigilosa os termos de um acordo que envolve a votação de um projeto que reduz penas pelos atos golpistas, a garantia de que Bolsonaro poderá cumprir pena em regime domiciliar e a rejeição de qualquer forma de perdão pelos crimes julgados pelo STF, segundo pessoas que participam das negociações.

Aliados de Lula na Câmara avaliam que, a partir de agora, o centrão não deve se aliar aos bolsonaristas, justamente por temer reação de ministros da Corte.

Eles citam como exemplo a comemoração do ex-apresentador Paulo Figueiredo, que tem atuado com Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos por sanções a autoridades brasileiras, diante do resultado desta quarta.

"Vocês foram heróis e derrotaram Gilmar [Mendes, ministro do STF], Lula, Alexandre [de Moraes] e cia. Agora é lutar pelo texto. Anistia ampla, geral e irrestrita. E podem ter certeza: na semana que vem, a artilharia vai continuar daqui dando suporte a vocês da infantaria. Anistia já", escreveu em publicação nas redes.

CONTADOR - BONUS

Um líder afirma, sob reserva, que as votações da urgência da anistia e da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Blindagem nesta quarta são um "prato cheio" para uma ofensiva do STF, sobretudo nas ações que fiscalizam o cumprimento das regras de transparência da execução das emendas parlamentares. Um petista diz que basta o ministro Flávio Dino, relator dessas ações, tirar o sigilo delas para atingir uma série de deputados, sem precisar condená-los judicialmente.

Além disso, petistas avaliam que mesmo os bolsonaristas podem ter interesse no acordo. Uma anistia ampla, apontam, seria vetada por Lula ou considerada inconstitucional pelo STF, o que faria com que Bolsonaro fosse para o regime fechado e ainda perdesse qualquer chance de um acordo para cumprir pena em prisão domiciliar -prioridade para aliados do ex-presidente.

O presidente Lula afirmou mais cedo a aliados que não se opõe à redução de pena dos condenados por atos golpistas. Em almoço com integrantes do PDT, nesta quarta, ele afirmou que ficou preso por 580 dias e sabe que isso não é fácil.

Ele não especificou se concordaria com uma proposta que atingisse apenas os condenados pelos atos do 8 de janeiro de 2023 ou que também favorecesse aqueles envolvidos na trama golpista, como Bolsonaro.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Um parlamentar da base lulista que acompanhou as negociações nesta quarta diz que a votação representa um alerta para o governo sobre a instabilidade de sua base congressual às vésperas de ano eleitoral e num momento em que o Executivo aposta em projetos em tramitação no Congresso para ajudar a reeleição de Lula em 2026.

Ele diz que a aliança do centrão com a direita nesta quarta se deu por uma série de motivos, mas aponta como o principal deles a disputa que o governo tem travado com a classe política, num discurso rotulado como "nós contra eles".

Esse político avalia que o esforço do Planalto nos últimos dias para mobilizar partidos aliados contra a anistia não representou resultados, mesmo com a ameaça de rever indicações políticas em cargos federais.

Até mesmo os três suplentes dos ministros que são deputados federais licenciados -Celso Sabino (União-PA), André Fufuca (PP-MA) e Sílvio Costa Filho (Republicanos-PE)- votaram a favor da urgência.

Caso o acordo do centrão com o STF seja rompido e resulte na aprovação de uma anistia ampla, integrantes do governo apostam no Senado para conter o avanço dessa pauta.

Eles lembram que dois terços dos senadores pode disputar eleições no próximo ano, o que seria suficiente para lançar sobre esses parlamentares o medo de se desgastar com seus eleitores em assuntos capazes de carregar repercussões negativas, como a anistia e a PEC da Blindagem.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas