A programação oficial da COP30 reforçou que o maior desafio para destravar a transição verde na Amazônia não está na falta de projetos, mas na necessidade de fortalecer a governança. O debate ocorreu na última quinta-feira (13), no pavilhão do Banco da Amazônia, na Green Zone, em Belém (PA).
Com investidores internacionais cada vez mais exigentes em segurança jurídica, transparência e previsibilidade, o painel “Governança Pública como Caminho para o Desenvolvimento Econômico e Social” reuniu especialistas para discutir os entraves. O ministro e ex-presidente do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, foi o convidado de honra.
Para Nardes, a governança tornou-se a base para destravar financiamentos de grande porte. Ele reforça que direcionar, avaliar riscos e monitorar resultados são passos essenciais para garantir que os recursos cheguem ao destino correto e gerem impacto real na floresta.
A discussão partiu de uma questão central: como assegurar que o dinheiro destinado à Amazônia seja aplicado de forma eficiente, auditável e alinhada ao desenvolvimento sustentável?
O presidente do Banco da Amazônia, Luiz Lessa, destacou a importância do TCU no debate por ser a instância responsável por zelar pelo cumprimento das boas práticas de governança na região. A Controladoria-Geral da União (CGU) define que governança envolve mecanismos que orientam decisões, reforçam a ética institucional e conectam as políticas públicas às demandas da sociedade.
Transição verde e padrões internacionais
O painel também abordou a necessidade de integrar critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) às decisões financeiras. O Banco da Amazônia discutiu ainda a adoção dos padrões internacionais IFRS S1, voltado à sustentabilidade corporativa, e IFRS S2, focado em riscos climáticos. As normas criam uma linguagem comum para empresas, governos e bancos reportarem informações socioambientais.
Com uma carteira de crédito de R$ 62,8 bilhões, o Banco da Amazônia avalia que transparência e padronização são essenciais para ampliar investimentos sustentáveis e fortalecer o papel da região no mercado global.
Ativos verdes ganham espaço
Com a consolidação de uma arquitetura de governança robusta, instrumentos como Fundos Verdes, green bonds e a CPR Verde — voltada ao financiamento de projetos sustentáveis no campo — tendem a ganhar maior aceitação no mercado internacional.
A CPR Verde está em fase de estruturação no Banco da Amazônia. Já o Amazon Bond é desenvolvido pelo Banco Mundial, que tem o Banco da Amazônia como principal parceiro na definição das regras e critérios do título.