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Gonet tem aprovação mais apertada de um PGR desde a redemocratização

FolhaPress 12/11/2025 19:55

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Senado aprovou nesta quarta-feira (12) a recondução de Paulo Gonet ao comando da PGR (Procuradoria-Geral da República) por 45 votos a favor e 26 contra. O resultado é o mais apertado para um procurador-geral desde a redemocratização. Nenhum indicado ao cargo desde 1989 teve número tão baixo de votos favoráveis.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Gonet precisava de ao menos 41 votos favoráveis. Em 2023, na sua primeira indicação, havia sido aprovado por 65 a 11.

Até então, as aprovações mais apertadas haviam sido as de Aristides Junqueira -em 1989, com 47 votos a favor e 3 contra, e em 1991, com 51 favoráveis e 5 contrários- e a de Cláudio Fonteles, em 2003, aprovado por 52 votos e 10 votos contrários.

A queda no apoio se dá após o desgaste com o bolsonarismo, sobretudo por causa da atuação da PGR na ação da trama golpista, que levou à condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão. Durante a sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), mais cedo, senadores da oposição já haviam sinalizado voto contrário. O colegiado aprovou o nome por 17 a 10 -abaixo dos 23 a 4 registrados em 2023.

SESC PICASSO

Gonet defendeu na sabatina sua atuação no processo da trama golpista e afirmou que a PGR não apresenta denúncias "precipitadas". Disse ainda que o órgão não criminaliza a política e que não interfere em competências de outros Poderes. Ele rebateu críticas afirmando ser bem avaliado pela carreira e mencionou mensagem de apoio recebida do presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República).

Gonet não fez campanha pela própria aprovação --algo comum em indicações desse tipo. Ele foi escolhido por Lula (PT) em 2023 por fora da lista tríplice da ANPR e tem alinhamento esperado com a maioria do STF no caso da trama golpista. Embora tenha sido vice-procurador-geral eleitoral na gestão de Augusto Aras, não é visto internamente como um nome vinculado ao antecessor.

A sessão do Senado teve pressão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que os parlamentares permanecessem no plenário. A preocupação era evitar que alguma das indicações pautadas fosse rejeitada por falta de quórum.

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