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Gestão Tarcísio e PM batem cabeça sobre estimativa de público em ato na Paulista

FolhaPress 25/02/2024 20:05

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Secretaria da Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a Polícia Militar, subordinada à pasta, bateram cabeça sobre a estimativa de público no ato em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na avenida Paulista, na tarde deste domingo (25).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

No fim da tarde, o secretário de Segurança, o bolsonarista Guilherme Derrite, escreveu nas redes sociais que 750 mil pessoas estiveram presentes no protesto. "Não tivemos ocorrências relevantes, mesmo com público de 750 mil pessoas na avenida e em todo o entorno. Parabéns PM e PC", escreveu Derrite.

A Polícia Militar não costuma mensurar os participantes neste tipo de evento, informação reiterada pela assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança no início da tarde.

Após a publicação de Derrite, a reportagem procurou a sala de imprensa da corporação às 19h para questionar se a PM havia produzido a estimativa divulgada pelo secretário. O oficial de plantão informou que a polícia não faz estimativas do tipo.

SESC PICASSO

A reportagem, então, procurou mais uma vez a assessoria da secretaria, que encaminhou nota afirmando que o ato contou "com a presença de, aproximadamente, 600 mil pessoas na Avenida Paulista e 750 mil pessoas no total, quando levado em conta o público presente nas ruas adjacentes".

O número de 750 mil era justamente o que a organização do ato dizia aguardar na Paulista.

Questionada, a pasta informou que a estimativa havia sido feita pela Polícia Militar. A secretaria não respondeu por que teria havido a mudança no procedimento, já que a corporação usualmente não faz esse tipo de cálculo. Tampouco quais métodos foram utilizados para a estimativa.

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Mais cedo, Derrite havia divulgado mensagens aéreas do protesto. "Estou monitorando de perto a segurança na manifestação na Avenida Paulista neste domingo. Nossos policiais estão trabalhando para que o direito ao livre exercício da democracia seja cumprido", escreveu.

Em 2021, quando o ato do 7 de Setembro reuniu uma multidão na Paulista, o Governo de São Paulo disse que o evento havia reunido 125 mil pessoas. Os organizadores esperavam 2 milhões de pessoas.

Segundo o Datafolha, a lotação máxima do trecho Consolação-Paulista é de 1,5 milhão de pessoas —num cálculo intencionalmente superestimado, considerando sete pessoas por metro quadrado.

As duas vias têm, somadas, 216 mil metros quadrados. A área medida pelo Datafolha incluiu bancas de jornais, árvores, canteiros e outros espaços que não são ocupados. O instituto usa imagens de satélite e fotos do alto para determinar quantos metros quadrados tem um determinado espaço.

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No ato deste domingo na Paulista quatro quarteirões da Paulista ficaram superlotados. Havia bolsonaristas, mais espalhados, em cerca de um total de dez quarteirões da avenida.

Para o Datafolha, sete pessoas podem ocupar um metro quadrado, mas com pouca mobilidade, o que não ocorre em manifestações ao ar livre, por exemplo. O instituto usou como referência o manual de cálculo de multidões feito pelo CEPD (Centro de Estudos e Pesquisas de Desastres), da Prefeitura do Rio.

O Datafolha calculou o público de diversas manifestações na avenida Paulista, em 2013, 2015 e 2016. O maior deles, em 13 de março de 2016, reuniu 500 mil pessoas contra a então presidente Dilma Rousseff (PT).

No método de contagem desenvolvido pelo instituto, pesquisadores percorreram a avenida e mapearam a concentração de manifestantes em setores da Paulista divididos em quadrantes. Ao mesmo tempo, manifestantes também foram questionados sobre há quanto tempo estavam no ato.

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