O Brasil ultrapassou R$ 4,5 trilhões em despesas primárias acumuladas em 2025, considerando União, estados, municípios e o Distrito Federal. Os números são atualizados em tempo real pela plataforma Gasto Brasil, desenvolvida pela CACB em parceria com a ACSP, e mostram um ritmo de crescimento acelerado dos gastos e sem sinais de desaceleração.
Para o diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente do Senado, Marcus Pestana, o cenário é preocupante. Ele avalia que a atual trajetória fiscal é insustentável a médio e longo prazo e exige um novo pacto entre os entes federativos e os três Poderes. Segundo ele, despesas obrigatórias como Previdência Social, benefícios assistenciais e verbas vinculadas avançam automaticamente, sem acompanhar o ritmo da arrecadação.
A Previdência já consumiu R$ 1,2 trilhão neste ano, tornando-se o principal componente do aumento das despesas públicas.
Impacto no setor produtivo
O vice-presidente Jurídico da CACB, Anderson Trautman, afirma que o aumento dos gastos e da carga tributária pressiona diretamente as empresas e compromete a geração de empregos. Segundo ele, o setor produtivo enfrenta custos crescentes e dificuldade para manter negócios diante do avanço do ônus tributário.
Trautman alerta ainda para a falta de mão de obra qualificada, o que agrava os desafios das empresas em expandir operações. Já Marcus Pestana avalia que o desequilíbrio fiscal reduz a confiança dos investidores, que buscam estabilidade institucional e regras claras para apostar no país.
Reforma administrativa e medidas urgentes
Para Pestana, o Brasil precisa combinar ajustes fiscais com reformas estruturais, especialmente na área administrativa. Ele afirma que o desempenho econômico geral não é ruim, mas o gasto público desordenado pressiona juros, amplia o endividamento e afasta investimentos.
Entre as medidas consideradas essenciais por Pestana estão a revisão de incentivos tributários, ajustes na Previdência, uma reforma administrativa e o fim de vinculações automáticas no orçamento. Trautman concorda e ressalta que a melhoria da gestão das despesas é indispensável para aliviar a carga tributária e garantir crescimento nos próximos anos.
Ele explica que, sem reformas, o país corre o risco de repetir em 2026 o mesmo ciclo de aumento de impostos observado ao longo de 2025.
Gasto Brasil: transparência em tempo real
O Gasto Brasil foi criado para ampliar a transparência das contas públicas e permitir que qualquer cidadão acompanhe a aplicação dos recursos. O presidente da CACB, Alfredo Cotait, destaca que a ferramenta complementa iniciativas como o Impostômetro, ao mostrar não apenas quanto se paga em impostos, mas como o dinheiro é gasto.
A plataforma reúne dados da União, dos estados e dos municípios, incluindo despesas por Poderes e categorias detalhadas do orçamento federal. Previdência e gastos com pessoal concentram cerca de 60% de todas as despesas, reforçando o peso das obrigações permanentes no orçamento brasileiro.