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Economia

Galípolo: quando Copom indicou 'calibragem' da Selic, mercado entendeu correto, é corte

Estadão Conteúdo 26/03/2026 14:54

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 26, que o mercado entendeu corretamente que a "calibragem" da política monetária indicada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) se refere a um ciclo de cortes da Selic. "A calibragem é no sentido de cortes de juros", frisou, durante coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do 1º trimestre de 2026.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Galípolo reforçou na sequência que a autoridade monetária tem uma barra mais alta para reagir aos dados "de maneira emotiva".

"A gente vem preferindo ganhar tempo para poder compreender os efeitos ao invés de reagir rapidamente a incorporação", frisou o presidente do BC. "A função de quem está do lado de cá é botar a bola no chão, analisar e tentar tirar o que é ruído para entender o que é sinal."

Votação unânime da reunião mais recente

Galípolo disse ainda que nenhum dos membros do Copom chegou a sugerir um corte maior do que 0,25 ponto porcentual na Selic na última reunião do colegiado, em 18 de março. O comitê diminuiu os juros de 15% para 14,75%, em uma decisão unânime.

SESC PICASSO

"O debate passava, primeiro, por uma discussão de se a gente entendia que o cenário havia mudado de maneira suficiente para mudar o guidance da reunião anterior. O entendimento geral foi de que não, de todos os diretores. A partir daí, cada diretor vai manifestando o seu voto, e foi uma manifestação de consenso, todos manifestando os 25 pontos-base", disse o banqueiro central.

Em janeiro, o Copom já havia sinalizado que iria começar a reduzir a taxa Selic no encontro seguinte, de março. No entanto, depois da disparada dos preços do petróleo no mercado internacional, após os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã e o consequente fechamento do estreito de Ormuz, a mediana do mercado, que antes indicava um corte de 0,50 ponto porcentual, migrou para uma baixa de 0,25 ponto.

CONTADOR - BONUS

Segundo Galípolo, os debates do comitê são sempre "construtivos" porque os diretores expressam dúvidas sobre o cenário e atenção aos trade-offs de diferentes caminhos, em vez de chegarem à reunião com posições pré-definidas. Ele acrescentou que, desde antes das reuniões do Copom, os membros do colegiado acompanham a conjuntura econômica e acabam expostos aos mesmos dados.

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