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Economia

Fux diz que lei que regulamenta bets precisa de 'ajuste imediato'

FolhaPress 11/11/2024 19:50

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nesta segunda-feira (11) que a lei que regulamenta as bets precisa de ajuste imediato e que o julgamento da ação que questiona a constitucionalidade da norma deve ser feito com urgência.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Os problemas que foram aqui aventados, relativos às comunidades carentes, aos problemas mentais e aos outros graves problemas que foram destacados, leva-nos à ideia de que este julgamento tem que ser urgente", disse o ministro. "Ficou bem claro que precisa de um ajuste bastante imediato".

Fux disse ainda que a previsão é de julgar no primeiro semestre de 2025, mas ainda é necessário avaliar a necessidade de uma apreciação mais urgente.

"Vamos avaliar a segunda etapa, a terceira etapa amanhã, e aí certamente eu vou ter mais um juízo complexo para poder me pronunciar", afirmou.

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A fala foi feita após o primeiro dia de audiência pública que discutiu o tema. A audiência foi convocada a partir de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, da qual Fux é o relator, em que a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo pediu que a Lei das Bets (n°14.790/2023) fosse declarada inconstitucional pelo STF.

A audiência pública ouviu a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, representantes da secretaria de prêmios e apostas do Ministério da Fazenda, do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e de loterias do país, além de membros da sociedade civil para oferecer perspectivas sobre o tema.

Segundo o ministro, as posições apresentadas pelas diversas partes durante a audiência reforçaram a necessidade de que a legislação atual precisa passar por ajustes. "Vamos avaliar se antes do julgamento do mérito haverá necessidade da chamada providência jurídica", afirmou.

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"Os juízes não têm expertise sobre todos os aspectos que aqui foram abordados. Vou retransmitir [o que foi discutido] aos meus colegas para que possamos chegar a uma decisão, porque se eu pudesse dizer alguma coisa eu diria: 'todos têm razão'".

Neste primeiro dia, a audiência, realizada na sala de sessões da Primeira Turma do STF, teve dois momentos, um pela manhã e outro pela tarde. Nesta terça-feira (12), a discussão será retomada às 10h.

Posicionamentos contrários e a favor da regulação da modalidade no país foram ouvidos por cerca de seis horas.

Entre eles, o secretário de prêmios e apostas da Fazenda, Regis Anderson Dudena, disse que o ideal é a regulação, e não a proibição, e que o ministério tem atuado desde 2023 para regular as atividades.

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"A demanda pelo serviço é real, e uma eventual declaração de inconstitucionalidade da lei apenas direcionará brasileiras e brasileiros a um mercado ilegal, inseguro e com efeitos nocivos como fraude, lavagem de dinheiro e a exploração dos apostadores, que tendem a agravar, potencializando problemas de saúde mental e financeira como super endividamento", disse.

A ministra Macaé Evaristo alertou para o potencial viciante dos jogos e prejuízo às famílias, comparando com outras modalidades de apostas, como os cassinos.

"Com a instalação das chamadas bets estamos permitindo a instalação de um cassino no bolso de cada brasileiro. As dificuldades de nosso país, ainda em desenvolvimento, o desejo das pessoas por um futuro melhor, muitas vezes a falta de perspectiva econômica, acaba sendo um terreno fértil para aposta desesperada e triste dos jogos", afirmou.

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