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Política

Flávio registra B.O. após postagem ameaçar repetir com ele atentado sofrido pelo pai

Estadão Conteúdo 07/03/2026 19:33

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou um boletim de ocorrência (B.O.) após ser alvo de ameaça publicada na rede social X (antigo Twitter). Segundo o documento da Polícia do Senado, o usuário escreveu na plataforma que poderia repetir contra o parlamentar o ataque sofrido pelo pai, Jair Bolsonaro, em 2018.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

De acordo com o registro policial, feito na manhã deste sábado, 7, pela Secretaria de Polícia do Senado, o caso foi classificado como ameaça (artigo 147 do Código Penal), com "conotação política". O próprio senador comunicou às autoridades que tomou conhecimento da publicação nas redes sociais e decidiu formalizar a denúncia.

Tudo começou durante uma discussão pública na plataforma. Um perfil identificado como @FiorinoCarioca, que se descreve como "cristão, caminhoneiro, pai de três e marido", publicou uma mensagem questionando a origem do atentado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência.

SESC PICASSO

"Vocês estão assustados com os prints do celular do Vorcaro? Imaginem os prints dos celulares de Adélio Bispo. Quem mandou matar Jair Bolsonaro?", escreveu o usuário.

A postagem provocou uma resposta do perfil @MarcosB51733320. "Quem mandou eu não sei. Mas quem quiser me pagar pro Flávio sofrer o mesmo...", puo acusado.

A frase faz referência direta ao atentado sofrido por Jair durante a campanha presidencial de 2018.

Segundo o B.O acessado pela reportagem, a mensagem foi registrada como ameaça à integridade do senador. O documento também aponta que, após a publicação, circulou um print com a imagem de Adélio Bispo dos Santos, autor da facada contra Bolsonaro, acompanhado da bandeira do Brasil. "ANISTIA PARA ADÉLIO! Ele só tentou, mas não conseguiu finalizar o golpe!!", dizia o texto da montagem.

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O perfil associado ao suspeito se apresenta na rede social como participante do Clube de Regatas do Flamengo, opositor de qualquer governo e afirma na biografia que "ser odiado por idiotas é meu hobby preferido". A conta reúne cerca de 1,7 mil seguidores.

A facada de Bolsonaro

Há 8 anos, durante um ato de campanha em Juiz de Fora, em Minas Gerais, Jair Bolsonaro foi esfaqueado por Adélio Bispo enquanto cumprimentava apoiadores. O ataque aconteceu em 6 de setembro, a pouco mais de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais.

Na época, Bolsonaro liderava as pesquisas de intenção de voto, mas enfrentava forte rejeição e intensa polarização política. O atentado provocou comoção pública e alterou o tom da campanha eleitoral. Adversários reduziram críticas diretas ao então candidato enquanto ele se recuperava das cirurgias decorrentes do ferimento.

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As investigações conduzidas pela Polícia Federal concluíram que Adélio Bispo agiu sozinho e por motivação política. Laudos médicos indicaram que ele sofre de transtorno delirante persistente, motivo pelo qual a Justiça considerou o agressor inimputável. Em 2019, a decisão judicial determinou a chamada absolvição imprópria, convertendo a prisão preventiva em internação em estabelecimento de segurança máxima.

Até hoje, porém, teorias sobre a existência de um possível mandante continuam circulando nas redes sociais e em discursos políticos, frequentemente reaparecendo em debates públicos, como ocorreu na discussão online que antecedeu a ameaça contra o senador.

Com o registro do boletim de ocorrência, o caso agora deve ser analisado pelas autoridades responsáveis pela investigação, que podem avaliar eventuais medidas criminais relacionadas à ameaça publicada nas redes sociais.

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