Por Marcelo Rossoni
No ambiente cada vez mais volátil das campanhas eleitorais, onde a informação circula em velocidade quase instantânea e o humor do eleitor oscila com a mesma rapidez, a capacidade de reagir deixou de ser diferencial — tornou-se condição de sobrevivência. É nesse contexto que o bem-sucedido profissional de marketing e consultor político, Fernando Carreiro, apresentou hoje o CIC — Centro de Inteligência de Campanhas, uma proposta que, mais do que acompanhar essa transformação, tenta organizá-la.
O projeto foi apresentado a políticos, profissionais de marketing político e jornalistas durante um café da manhã realizado nesta sexta-feira (17), no Golden Tulip , na Enseada do Suá, em Vitória. O encontro reuniu convidados interessados em compreender como a tecnologia pode ser integrada à estratégia eleitoral em um cenário cada vez mais dinâmico.
Com mais de duas décadas de atuação no marketing político, Fernando Carreiro não chega como um entusiasta tardio da tecnologia. Ao contrário, sua iniciativa parte de uma leitura pragmática do campo eleitoral: campanhas continuam sendo decididas por estratégia, leitura de cenário e construção de narrativa, mas agora exigem velocidade e capacidade de adaptação em tempo real. O CIC nasce exatamente dessa interseção.
A principal virtude do modelo está na integração. Em vez de estruturas fragmentadas — comuns em campanhas tradicionais, onde pesquisa, comunicação e estratégia operam em ritmos distintos — o centro propõe uma engrenagem única, em que diagnóstico, monitoramento, estratégia e criação funcionam de forma simultânea e interdependente. Na prática, significa reduzir o tempo entre identificar um movimento no ambiente político e responder a ele.
Não se trata apenas de tecnologia, ainda que ela seja parte central da proposta. O diferencial está no uso estruturado dessa tecnologia a partir de uma lógica decisória consolidada. Ao treinar sistemas com base em sua própria experiência, Fernando Carreiro tenta escalar algo que, historicamente, sempre foi artesanal: o “feeling” de campanha — expressão recorrente no meio para definir a intuição estratégica construída ao longo de sucessivas disputas eleitorais.
Há, evidentemente, um risco inerente a qualquer modelo que promete velocidade em larga escala: o de padronizar discursos ou diluir identidade. Mas o CIC parece tentar contornar esse problema ao manter o eixo estratégico sob condução humana, usando a inteligência artificial como ferramenta de execução e amplificação, não como substituição.
Outro ponto relevante é a capacidade de produção. Campanhas contemporâneas exigem presença constante, em múltiplos canais e formatos. O ciclo de criação encurtou drasticamente. Nesse cenário, a promessa de produção em escala com coerência estratégica não é apenas um atrativo — é quase uma exigência operacional. O modelo apresentado busca justamente equilibrar quantidade e consistência, algo que raramente caminha junto.
Há também um componente de democratização. Ao oferecer desde o modelo full service até a consultoria estratégica, o CIC se posiciona para atender campanhas de diferentes portes. Em um mercado historicamente concentrado em grandes estruturas e orçamentos elevados, essa flexibilidade pode ampliar o acesso a ferramentas mais sofisticadas de comunicação política.
No fundo, o que Fernando Carreiro propõe com o CIC é uma reorganização do tempo dentro das campanhas. Se antes havia espaço para planejamento mais longo e ajustes graduais, hoje o jogo se dá no presente contínuo — onde cada movimento precisa ser interpretado, decidido e executado quase simultaneamente.
Se a promessa se confirmar na prática eleitoral, como sempre, será testada nas urnas. Mas o conceito, por si só, já aponta para uma direção clara: campanhas menos reativas e mais preparadas para reagir. Em um ambiente onde o atraso custa caro, isso pode fazer toda a diferença.