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Economia

Fechamento câmbio: Dólar volta a R$ 5,15 com aumento das tensões entre EUA e Irã

Estadão Conteúdo 07/07/2026 17:58

O dólar acentuou o ritmo de alta na reta final dos negócios, alinhado ao comportamento da moeda americana no exterior, diante da piora da percepção de risco geopolítico. O gatilho foi decisão dos Estados Unidos de revogar a licença para venda de petróleo iraniano, em resposta aos ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

As taxas dos Treasuries subiram com a escalada dos preços do petróleo, que pode respigar nas expectativas de inflação. O contrato do Brent fechou com ganhos de 3,01%, a US$ 74,16, mas chegou a avançar mais de 5% no pregão eletrônico. Operadores afirmam que a perspectiva de alta dos juros nos EUA pesa sobre as divisas emergentes e impede que o real se beneficie da melhora dos termos de troca com a sustentação do petróleo em níveis elevados.

Com máxima de R$ 5,1637, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,41%, a R$ 5,1528, após uma sequência de três sessões de queda. A moeda americana recua 0,20% nos cinco primeiros pregões de julho, depois de avanço de 2,38% em junho. No ano, as perdas são de 6,12%.

O economista Fabrizio Velloni observa que uma eventual retomada da tendência de alta do petróleo pode esquentar as apostas em aperto monetário nos EUA, sobretudo após o tom duro adotado pelo novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no mês passado.

SESC PICASSO

"O ambiente global é de um dólar mais forte. Os investidores ainda tentam entender como o Fed vai se portar se a inflação não começar a ceder", afirma Velloni, ressaltando que eventuais retrocessos no processo de negociação de paz entre EUA e Irã, que já era visto com desconfiança, aumentam a busca por proteção na moeda americana.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY subia cerca de 0,20% no fim da tarde, na casa dos 101,050 pontos, após máxima de 101,126 pontos. O Dollar Index ainda recua pouco mais de 0,10% em julho, depois de ganhos de mais de 2% em junho, quando atingiu o maior valor em mais de um ano.

Investidores aguardam a divulgação nesta quarta-feira, 8, da ata do encontro do Fed de junho, quando a maioria dos dirigentes da instituição passou a projetar alta dos juros neste ano. No fim da manhã, o presidente do Fed de Nova York, John Williams, disse que estava menos preocupado com a inflação no curto prazo em razão da queda dos preços da energia.

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Pesquisa divulgada pelo Fed de Nova York, porém, mostrou aumento das expectativas de inflação dos consumidores americanos no horizonte de um ano, de 3,5% em maio para 3,7% em junho - o maior nível desde setembro de 2023.

O economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia, observa que o tom mais duro do Fed fortalece globalmente o dólar e aponta para uma diminuição do diferencial de juros. "O real ainda é uma das moedas com melhor desempenho no ano, mas o carry trade está se tornando cada vez menos atraente", afirma.

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