Move Brasil tem adesão abaixo do esperado entre bancos privados e pode passar por ajustes para facilitar financiamentos de veículos
O Ministério da Fazenda avalia mudanças no Move Brasil, programa de crédito destinado a motoristas de aplicativo e taxistas. A intenção é aumentar a participação das instituições financeiras privadas e ampliar o número de financiamentos.
Em funcionamento desde 27 de julho, o programa oferece condições de crédito para trabalhadores que precisam adquirir veículos para exercer a atividade. Podem ser financiados carros novos de até R$ 150 mil, além de veículos seminovos, motocicletas e bicicletas.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a adesão está abaixo da expectativa inicial, principalmente entre os bancos privados. Banco do Brasil e Caixa têm concentrado uma parcela maior das operações.
A equipe econômica procura entender os motivos da baixa participação das instituições privadas mesmo com mecanismos de garantia oferecidos pelo governo.
Entre as alternativas estudadas está uma integração maior entre bancos e plataformas de transporte por aplicativo. A ideia é facilitar o acesso a informações sobre a renda dos motoristas, um dos dados considerados na análise para concessão do financiamento.
Também poderão ser avaliadas alterações nas próprias regras do programa. Antes de qualquer mudança, o governo pretende discutir as possibilidades com as instituições financeiras e analisar se os ajustes teriam capacidade de aumentar a contratação de crédito.
Apesar de reconhecer que o desempenho inicial ficou aquém do projetado, Durigan afirmou que já existe um volume relevante de operações e que o programa poderá ganhar maior alcance com as modificações em estudo.
O Move Brasil foi criado para facilitar a renovação ou aquisição de veículos utilizados no trabalho de motoristas de aplicativo e taxistas, oferecendo uma alternativa de financiamento com condições diferenciadas.
O desempenho do programa foi discutido nesta quarta-feira (19) em uma reunião do governo federal que também avaliou outras iniciativas de crédito destinadas à compra de caminhões, ônibus e motocicletas, além de medidas direcionadas a trabalhadores e empresas.
No mesmo encontro, integrantes da equipe econômica analisaram as medidas brasileiras diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
O governo iniciou um processo para avaliar eventual aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica em resposta à tarifa de 37,5% aplicada a produtos brasileiros. A abertura do procedimento, porém, não significa adoção imediata de novas tarifas contra mercadorias norte-americanas.
Segundo Durigan, o Brasil pretende manter os canais de negociação abertos enquanto avalia os impactos das medidas dos Estados Unidos e possíveis respostas. O governo também estuda mecanismos de apoio aos setores atingidos, incluindo alterações no regime de drawback para produtos destinados à exportação.