Tarifa zero para mais de 80% das exportações acelera vendas de alimentos e amplia presença do Brasil no mercado europeu
Após 26 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia começa a valer nesta sexta-feira (1º) com impacto direto sobre o agronegócio brasileiro, que passa a ganhar vantagem competitiva em um dos mercados mais exigentes do mundo.
Na largada da implementação, mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa passam a ter tarifa de importação zerada. Entre os principais beneficiados estão produtos ligados ao agro, como alimentos, insumos e matérias-primas, que passam a entrar no continente europeu com custo reduzido.
A mudança tende a fortalecer a presença do Brasil no comércio internacional de alimentos, ampliando margens e permitindo preços mais competitivos frente a concorrentes globais.
O acordo abre portas para um mercado de mais de 700 milhões de consumidores e alto poder de compra, o que reposiciona o agro brasileiro em um patamar mais estratégico nas exportações globais.
Além da redução de tarifas, o tratado estabelece regras sanitárias, técnicas e comerciais mais claras, o que aumenta a previsibilidade para exportadores e facilita a inserção de produtos brasileiros no mercado europeu.
Embora a indústria concentre grande parte das liberações imediatas, o agro aparece como um dos setores com maior potencial de expansão ao longo da implementação, especialmente em produtos com demanda crescente na Europa.
Nem todos os itens terão liberação total imediata. Produtos considerados sensíveis terão redução gradual de tarifas, com prazos que podem chegar a até 30 anos, permitindo adaptação dos mercados e preservação de setores estratégicos.
Mesmo assim, o início da vigência já é visto como um marco para o agronegócio brasileiro, que passa a operar com menos barreiras em um dos principais polos consumidores do planeta.
A implementação ainda prevê ajustes operacionais, como a divisão de cotas entre países do Mercosul, etapa que será acompanhada de perto por entidades do setor produtivo.