Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h42m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

EUA mantêm silêncio em negociação, e governo brasileiro teme implementação de tarifas em agosto

FolhaPress 23/07/2025 13:25

BRASÍLIA, DF E WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - A nove dias do final do prazo para o governo dos Estados Unidos aplicar sobretaxas de 50% sobre produtos importados do Brasil anunciada por Donald Trump, os canais de negociação formais entre o governo brasileiro e o americano seguem fechados.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Americanos sinalizaram ao governo Lula (PT) que as tratativas só devem caminhar a partir de uma autorização do presidente Donald Trump para a abertura de canal oficial de diálogo. Integrantes do Palácio do Planalto dizem ter a informação de que o caso está na Casa Branca e sem previsão de uma resposta às iniciativas do governo brasileiro.

Como esse diálogo é interditado nos canais formais, integrantes do governo começam a duvidar de um desfecho a tempo hábil de reverter a aplicação da sobretaxa em 1º de agosto.

Enquanto isso, autoridades brasileiras procuram estabelecer contatos extraoficiais com a equipe dos seus correspondentes nos Estados Unidos. Isso se deve justamente à dificuldade relatada por ministros de se comunicar diretamente com seus homólogos nos EUA.

No governo brasileiro, essa resistência é atribuída a um temor entre os americanos de serem desautorizados pelo presidente Trump. Integrantes do órgão responsável pela área comercial dos EUA, por exemplo, mantiveram conversas sobre tarifas com os brasileiros e foram surpreendidos pela decisão do presidente americano de sobretaxar o país.

A decisão, como o próprio republicano deixou claro, não se baseou em estudos econômicos, mas, sim, em uma questão política.

SESC PICASSO

Um ministro brasileiro ainda cita como exemplo o caso do Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, desautorizado após defender o presidente do Fed (Federal Reserve), o banco central dos EUA.

Em outra frente, o governo, capitaneado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), também tenta sensibilizar o empresariado diretamente atingido pelas medidas para que auxiliem na procura por uma solução.

Entre aliados do presidente Lula, há um temor de que Trump pretenda transformar o caso brasileiro em exemplar para intimidar outros países nas negociações com os EUA.

Aliados do presidente lembram que os EUA não estão respondendo às correspondências enviadas pelos brasileiros. O próprio Alckmin tem repisado em suas falas que cartas foram enviadas ao governo americano desde o dia 16 de maio e não houve nenhuma resposta.

Americanos sinalizaram que a resposta a partir de agora não deve ser por meio de carta, mas de outra forma a ser definida. O governo Trump tem priorizado tratativas que considera mais importantes no momento. Nesta semana, anunciou acordos com a Indonésia e o Japão.

Desde abril, Trump tem dito que o governo está conduzindo negociações com mais de 200 países simultaneamente. Mas a conduta do presidente americano tem sido ele próprio definir suas prioridades.

CONTADOR - BONUS

Na noite de terça-feira (22), ministros se reuniram para discutir o cenário com a proximidade do prazo final das sobretaxas. Participaram Alckmin, Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda) e Sidônio Palmeira (Secom).

Aliados de Lula dizem que o governo não deixará a mesa de negociação e vai insistir no canal diplomático para discutir as tarifas. Eles apostam, no entanto, que hoje pode ter mais efeito até o prazo do dia 1º de agosto a via empresarial, com representantes dos setores produtivos afetados dialogando com seus correspondentes no país americano.

Eles dizem que o Brasil tem feito todos os esforços para negociar, mas que é preciso analisar as opções, caso o governo americano não destaque nenhuma autoridade para dialogar com o governo. Há uma avaliação de que, com essa via diplomática obstruída, os setores possam pressionar o governo Trump e isso possa mobilizar os EUA a negociarem, justamente pelos impactos que essa sobretaxa poderá causar na economia americana.

Também não descartam que outros setores possam reagir nos Estados Unidos, citando o caso da distribuidora de suco de laranja que acionou a Justiça americana contra a aplicação dessas tarifas. Como a Folha de S.Paulo mostrou, setores ligados a empresas gigantes nos EUA têm buscado interlocutores no Brasil para tentar evitar a sobretaxa. Companhias das áreas petrolífera, energética, farmacêutica e aérea também têm demonstrado preocupação com o impacto que esses tributos podem ter.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Um auxiliar do petista também defende que todos os passos sejam tomados com cautela, diante do que chama de uma intempestividade da gestão Trump, citando mais recentemente a decisão do governo americano de proibir a entrada de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) no país.

Negociadores ligados ao Itamaraty afirmam que há conversas reservadas envolvendo integrantes dos governos brasileiros e americanos, de forma discreta. A interlocução entre o setor privado dos dois países também é vista pelos diplomatas como uma ferramenta importante para buscar um desfecho para o impasse.

Ainda que não haja sinais definitivos sobre o adiamento da implementação da sobretaxa, o governo ainda considera essa possibilidade --mesmo que remota. Um diplomata cita, por exemplo, uma entrevista em que o Scott Bessent sugere que o timing do tarifaço é flexível, e que a prioridade de Trump é um acordo de qualidade.

A reavaliação dos cenários é feita a cada dia, segundo esses integrantes do governo, uma vez que circulam rumores de novas sanções aplicadas por Trump ao Brasil, em especial integrantes do STF -o que poderia contaminar o ambiente de negociações comerciais.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas