Estado apresenta o menor índice do Sudeste e fica abaixo da média nacional; plano federal quer ampliar arborização das cidades até 2045
A presença de árvores ainda é limitada no entorno das residências do Espírito Santo. Apenas 32,9% dos moradores capixabas vivem em locais onde existem ao menos três árvores próximas ao domicílio, percentual bem abaixo da média brasileira, de 45,5%.
Os números fazem parte do diagnóstico utilizado pelo Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU), elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre os quatro estados do Sudeste, o Espírito Santo apresenta o menor percentual. São Paulo lidera a região, com 53,82% dos moradores vivendo em áreas com pelo menos três árvores no entorno de casa. Minas Gerais registra 41,98%, e o Rio de Janeiro, 41,73%.
O dado reforça um desafio que ultrapassa a questão paisagística. A arborização urbana é considerada parte da infraestrutura necessária para tornar as cidades mais sustentáveis e preparadas para enfrentar temperaturas extremas, chuvas intensas e outros impactos associados às mudanças climáticas.
Meta é chegar a 65% até 2045
O Plano Nacional de Arborização Urbana estabelece como uma das principais metas elevar de 45,5% para 65% a proporção de brasileiros com ao menos três árvores no entorno da residência até 2045.
O avanço representaria aproximadamente 40 milhões de pessoas a mais vivendo em ambientes urbanos com maior presença de árvores.
Outra meta é acrescentar 360 mil hectares de cobertura vegetal aos setores urbanos do país. A área deverá passar dos atuais 2,93 milhões de hectares para aproximadamente 3,29 milhões de hectares até 2045.
Com isso, a proporção de cobertura vegetal nos setores urbanos deverá crescer de cerca de 28% para 32%.
Árvores ajudam cidades a enfrentar calor extremo
A ampliação das áreas arborizadas está diretamente relacionada à adaptação das cidades às mudanças climáticas.
Árvores reduzem a incidência direta da radiação solar sobre ruas, calçadas e construções, proporcionam sombra e ajudam a diminuir as chamadas ilhas de calor, fenômeno caracterizado por temperaturas mais elevadas nas regiões densamente urbanizadas.
A vegetação também contribui para aumentar a infiltração da água no solo e reduzir o volume e a velocidade do escoamento superficial durante períodos de chuva intensa, auxiliando no enfrentamento de alagamentos.
Além disso, áreas verdes colaboram para a manutenção da biodiversidade, melhoria da qualidade ambiental e captura de carbono da atmosfera.
Arborização deve fazer parte do planejamento urbano
Uma das diretrizes do PlaNAU é fazer com que árvores e áreas verdes deixem de ser tratadas apenas como elementos ornamentais e passem a integrar o planejamento das cidades.
Isso envolve considerar a vegetação desde a definição de ruas, calçadas, ciclovias, praças, parques e novos bairros até a escolha das espécies adequadas para cada região.
O planejamento é fundamental para evitar conflitos com redes elétricas, tubulações, calçadas e outros equipamentos urbanos, além de permitir que as árvores atinjam porte suficiente para gerar benefícios ambientais.
O plano também busca fortalecer os instrumentos municipais de arborização e criar condições para que estados e prefeituras estabeleçam metas próprias de ampliação e conservação da cobertura vegetal.
Desigualdade na presença de árvores
Os números mostram grandes diferenças entre os estados brasileiros.
Mato Grosso do Sul apresenta o maior percentual de moradores com três árvores ou mais no entorno da residência, com 77,4%. O Distrito Federal aparece em seguida, com 67,62%, e o Paraná registra 64,88%.
Na outra ponta estão estados como Acre, com 20,11%, Sergipe, com 20,62%, e Amazonas, com 23,12%.
Segundo o Plano Nacional de Arborização Urbana, 72% dos municípios brasileiros ainda apresentam índices inferiores à meta de 65% prevista para 2045.
O desafio, portanto, não se limita ao aumento do número total de árvores. A política nacional também prevê priorizar bairros e regiões com menor cobertura vegetal, especialmente áreas mais vulneráveis ao calor e aos impactos das mudanças climáticas.
No Espírito Santo, onde o percentual de moradores com três árvores no entorno da residência está quase 13 pontos percentuais abaixo da média brasileira, a ampliação da arborização urbana ganha importância estratégica para o desenvolvimento de cidades mais verdes, resilientes e adaptadas ao novo cenário climático.
Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)