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Sustentabilidade

Espírito Santo sofre impactos da perda de água no Brasil e registra alterações nos principais corpos hídricos

Vitória News 22/03/2025 07:31
A perda de superfície de água registrada no Brasil em 2024, que ultrapassou os 400 mil hectares — o equivalente a mais do que o dobro da área da cidade de São Paulo — também teve reflexos diretos no Espírito Santo. Integrando o bioma da Mata Atlântica, o estado capixaba tem vivenciado alterações significativas nos níveis de rios, lagoas e represas, afetando não apenas o abastecimento, mas também a agricultura e a biodiversidade local. Segundo a atualização da série histórica do MapBiomas Água, divulgada nesta sexta-feira (21), a Mata Atlântica registrou 2,2 milhões de hectares cobertos por água em 2024, o que representa 13% do total nacional. Apesar da aparente estabilidade nos números gerais do bioma, especialistas apontam que há oscilações intensas em áreas específicas — e o Espírito Santo está entre as mais afetadas. Estiagem prolongada e cheia repentina: um cenário de extremos O território capixaba foi impactado tanto por períodos de estiagem, principalmente no primeiro trimestre de 2024, quanto por episódios de chuvas intensas e cheias em meses seguintes, como abril e maio. Esses eventos extremos resultaram em flutuações abruptas no volume de água de rios importantes como o Doce, o Itapemirim, o Santa Maria da Vitória e o Jucu. “O Espírito Santo tem enfrentado situações de seca em algumas regiões e excesso de chuvas em outras, o que complica a gestão dos recursos hídricos e pressiona os reservatórios”, afirma o pesquisador Juliano Schirmbeck, do MapBiomas Água. Reservatórios artificiais em alta Assim como ocorre em outras regiões do país, o Espírito Santo também tem registrado um crescimento das superfícies de água artificiais, como represas e reservatórios, especialmente nas regiões serranas e norte do estado. O avanço da irrigação agrícola e o uso de barragens para geração de energia têm transformado a paisagem hídrica. Lagoas costeiras e manguezais ameaçados Na região metropolitana e no litoral sul, lagoas costeiras e áreas de manguezal também têm sofrido com a redução do volume de água e a salinização em decorrência das mudanças climáticas e do uso da terra. A situação é considerada crítica em áreas como a Lagoa Juara, em Jacaraípe, e o manguezal de Cariacica, na foz do rio Santa Maria da Vitória. Essas áreas são essenciais para a preservação ambiental e o sustento de comunidades tradicionais que dependem da pesca e da coleta de frutos do mar. Aumento do risco de racionamento e prejuízos econômicos Com a redução da disponibilidade de água em determinados períodos do ano, crescem os riscos de racionamento no abastecimento, principalmente nas regiões Norte e Noroeste do Espírito Santo, onde cidades como Linhares, São Mateus, Nova Venécia e Colatina já enfrentaram dificuldades em anos anteriores. Além disso, o agronegócio e a produção de celulose, que dependem fortemente da irrigação e da captação de água, podem ter impactos econômicos diretos caso a tendência de redução continue. Monitoramento e ações preventivas Diante do cenário, especialistas defendem maior investimento em monitoramento ambiental, gestão de bacias hidrográficas e recuperação de nascentes no Espírito Santo. O estado já possui iniciativas como o Programa Reflorestar e projetos regionais de preservação hídrica, mas os desafios tendem a crescer com o avanço das mudanças climáticas.
Com informações de MapBiomas e ABr
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