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Empresas recebem multa por uso ilegal de saber indígena

Operação em 12 estados aplica R$ 2,2 milhões em multas por exploração irregular da biodiversidade; multas podem variar de R$ 1 mil a R$ 10 milhões

Vitória News 10/04/2026 15:42
Empresas recebem multa por uso ilegal de saber indígena
Agentes do Ibama verificam estoque de insumos de indústria cosmética. Foto: Divulgação/Ibama

Uma operação do Ibama multou empresas dos setores cosmético e farmacêutico por exploração irregular de conhecimento tradicional associado à biodiversidade, prática que envolve o uso de saberes de povos indígenas e comunidades tradicionais sem autorização.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A ação, realizada em 12 estados, fiscalizou 47 empresas e resultou em 51 autos de infração, com aplicação de R$ 2,2 milhões em multas.

As investigações apontam que empresas utilizaram informações tradicionais sobre espécies nativas brasileiras para desenvolver produtos e registrar patentes sem o consentimento prévio das comunidades detentoras desses conhecimentos.

Uso sem autorização

Entre as irregularidades identificadas estão o acesso a saberes tradicionais sem autorização e a falta de indicação da origem desses conhecimentos em processos comerciais e registros de propriedade intelectual.

Também foram detectados casos de exploração econômica de produtos sem cadastro ou notificação obrigatória junto ao sistema federal que regula o uso do patrimônio genético.

SESC PICASSO

Espécies como urucum, aroeira, jagube e chacrona estão entre os exemplos de plantas utilizadas sem o devido cumprimento das regras.

A legislação brasileira exige que empresas obtenham consentimento prévio das comunidades envolvidas e realizem a repartição de benefícios gerados a partir do uso desses conhecimentos.

As multas podem variar de R$ 1 mil a R$ 10 milhões, dependendo da gravidade da infração e do porte da empresa.

Proteção do conhecimento tradicional

A Lei da Biodiversidade estabelece regras para o uso de recursos naturais e saberes tradicionais, reconhecendo o papel de povos indígenas e comunidades como detentores desses conhecimentos.

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Além da autorização, a norma prevê que parte dos lucros obtidos com a exploração econômica seja revertida para ações de conservação e para as próprias comunidades.

A operação reforça a atuação do órgão ambiental no controle do uso da biodiversidade brasileira, especialmente em setores que utilizam ativos naturais para inovação industrial.

O caso também expõe a pressão sobre conhecimentos tradicionais e a necessidade de maior controle sobre sua utilização no mercado.

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