domingo, 12 de julho de 2026
Sustentabilidade

Emissões globais de incêndios caem ao menor nível em 24 anos, diz Copernicus

Vitória News 06/07/2026 09:46
Emissões globais de incêndios caem ao menor nível em 24 anos, diz Copernicus
Foto: Valter Campanato/ABr

Primeiro semestre de 2026 ficou abaixo de 400 megatoneladas de carbono, mas avanço do El Niño acende alerta para os próximos meses

As emissões globais de carbono provocadas por incêndios atingiram, no primeiro semestre de 2026, o menor patamar desde o início da série histórica, em 2003. O levantamento foi divulgado pelo observatório europeu Copernicus nesta segunda-feira (6).

Entre 1º de janeiro e 30 de junho, os incêndios liberaram menos de 400 megatoneladas — o equivalente a milhões de toneladas — de carbono na atmosfera. Até então, a série nunca havia registrado resultado inferior a 500 megatoneladas no período.

No início do monitoramento, em 2003, as emissões superavam um gigaton, correspondente a 1 bilhão de toneladas de carbono.

Os dados são do Sistema Global de Assimilação de Incêndios, o GFAS, que utiliza observações de satélites para estimar a intensidade das queimadas e a quantidade de carbono e outros poluentes lançados na atmosfera.

A redução global foi impulsionada principalmente pela diminuição dos incêndios sazonais na África tropical. O continente africano emitiu aproximadamente 154 megatoneladas de carbono nos primeiros seis meses deste ano, ante 213 megatoneladas no mesmo período de 2025.

Na Ásia, as emissões recuaram de 164 para 113 megatoneladas. A América do Sul também apresentou queda, passando de 40,9 para 38,8 megatoneladas de carbono.

Apesar do resultado global, algumas regiões enfrentaram incêndios de grande intensidade. A maior atividade registrada no semestre ocorreu no estado de Victoria, no sudeste da Austrália, no início de janeiro, em meio a temperaturas recordes.

Na América do Sul, os principais focos foram observados na região de Biobío, no Chile, e na província de Chubut, na Patagônia argentina.

El Niño pode elevar emissões

O cientista sênior do Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus, Mark Parrington, alertou que os incêndios registrados nas últimas semanas na Eurásia e na América do Norte podem indicar uma mudança no cenário.

Segundo ele, a possível consolidação do El Niño tende a intensificar períodos de seca e criar condições favoráveis para o avanço das queimadas.

Parrington lembrou que, em anos anteriores marcados pelo fenômeno climático, como 2015 e 2019, a queima prolongada de biomassa na Indonésia provocou forte neblina regional e piora significativa da qualidade do ar.

Além das imagens de satélite, o sistema do Copernicus combina as estimativas de emissão com informações do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo para projetar a possível evolução dos incêndios.

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