A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No quarto trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou variação positiva de 0,1% em relação ao trimestre anterior.
Com o resultado, o país completa cinco anos consecutivos de crescimento. Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 12,7 trilhões no ano passado. Já o PIB per capita chegou a R$ 59.687, com alta real de 1,9% na comparação com 2024. Ambos estão no maior patamar da série histórica iniciada em 1996.
Nos últimos cinco anos, o crescimento foi o seguinte:
2021: 4,8%
2022: 3%
2023: 3,2%
2024: 3,4%
2025: 2,3%
Produção: agro lidera avanço
Pela ótica da produção, todas as grandes atividades econômicas apresentaram expansão em 2025.
A agropecuária teve alta de 11,7%, sendo o principal destaque do ano. O avanço é atribuído ao aumento da produção e da produtividade, especialmente de milho (23,6%) e soja (14,6%), que bateram recordes.
O setor de serviços cresceu 1,8%, com expansão em todas as atividades, como informação e comunicação (6,5%), atividades financeiras (2,9%), transporte (2,1%) e comércio (1,1%).
A indústria registrou alta de 1,4%, impulsionada principalmente pela extração de petróleo e gás, que fez o segmento das indústrias extrativas avançar 8,6%. A construção civil teve crescimento de 0,5%.
A agropecuária respondeu por 32,8% do crescimento total do PIB em 2025. Juntas, agropecuária, indústria extrativa, outras atividades de serviços e informação e comunicação concentraram 72% da expansão do ano.
Consumo e investimento
Pela ótica da despesa, o consumo das famílias cresceu 1,3%, ritmo inferior ao observado em 2024, quando havia avançado 5,1%. Segundo o IBGE, a desaceleração está ligada ao ambiente de juros elevados.
O consumo do governo aumentou 2,1%. Já a Formação Bruta de Capital Fixo, que representa os investimentos, subiu 2,9%, puxada pela importação de máquinas e equipamentos, pelo desenvolvimento de software e pela construção.
A taxa de investimento ficou em 16,8% do PIB em 2025, levemente abaixo dos 16,9% registrados em 2024. A taxa de poupança subiu de 14,1% para 14,4%.
Quarto trimestre estável
No quarto trimestre, a economia praticamente ficou estável. Serviços cresceram 0,8% e agropecuária 0,5%, enquanto a indústria recuou 0,7%.
Pela ótica do consumo, o gasto do governo subiu 1%, o consumo das famílias ficou estável e os investimentos recuaram 3,5%.
Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a estabilidade do consumo das famílias e o aumento do consumo do governo compensaram a queda dos investimentos.
Juros elevados influenciaram ritmo
A desaceleração ao longo de 2025 está relacionada ao aperto monetário. Em setembro de 2024, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou um ciclo de alta da taxa Selic, que saiu de 10,5% ao ano e chegou a 15% em junho de 2025, permanecendo nesse nível.
A Selic mais elevada encarece o crédito, reduz consumo e investimentos e tende a desacelerar a atividade econômica. O objetivo é conter a inflação, cuja meta oficial é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Apesar do ambiente de juros altos, 2025 terminou com o menor nível de desemprego da série histórica, segundo o IBGE.
O que é o PIB
O Produto Interno Bruto representa o total de bens e serviços finais produzidos em um país em determinado período. O indicador permite medir o tamanho da economia e comparar o desempenho entre diferentes períodos ou países.
O PIB é calculado com base em pesquisas de setores como indústria, comércio e serviços. Ele considera os preços finais pagos pelo consumidor, incluindo impostos.
Embora seja um dos principais indicadores econômicos, o PIB não mede a distribuição de renda nem reflete diretamente a qualidade de vida da população.
Fonte: ABr