Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 08h46m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Dólar sobe e Bolsa cai com Galípolo e possível fim de paralisação nos EUA no radar

FolhaPress 12/11/2025 12:24

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar sobe nesta quarta-feira (12), com investidores atentos a um possível encerramento da paralisação do governo dos EUA e às falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nesta manhã.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O movimento vai na contramão do registrado na véspera quando a moeda americana atingiu seu menor valor desde junho de 2024. Contaminada pelo otimismo, a Bolsa encerrou o dia com um novo recorde de fechamento, de 157.748 pontos.

Às 12h16, a moeda norte-americana avançava 0,37%, cotada a R$ 5,293 e seguindo uma tendência do exterior —o índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a uma cesta de seis moedas subia 0,24%. No mesmo horário, a Bolsa caía 0,52%, a 156.917 pontos.

A baixa da Bolsa durante o dia é impulsionada pela queda das ações da Petrobras, cujos papéis preferenciais caíam 2,37% pela manhã em função da queda internacional dos preços do petróleo.

Os preços futuros do petróleo Brent caíam 1,84%, para US$ 63,31 por barril, por volta de 12h10. O petróleo West Texas Intermediate dos EUA caía 1,95%, para US$ 59,10 por barril.

Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, a queda da Bolsa reflete uma realização de lucros após os avanços recentes.

"O Ibovespa e outros índices internacionais tiveram ganhos importantes nas últimas sessões, o que uma hora ou outra, gera movimentos de ajuste com vendas e gestão de risco por parte dos investidores", afirma.

SESC PICASSO

A forte valorização da véspera refletu a disposição dos mercados globais por investimentos considerados mais arriscados. Esse movimento, apelidado de "apetite por risco" no jargão, teve início na noite de segunda-feira (10), quando o Senado dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei para reestabelecer o financiamento para agências federais.

Com 60 votos favoráveis e 40 contrários, a Casa deu o primeiro passo para encerrar a maior paralisação da história do governo norte-americano, em curso desde 1º de outubro.

Para valer, o projeto precisa ser aprovado pela Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil), controlada pelos republicanos, e receber a sanção do presidente americano, Donald Trump.

O presidente da Casa, Mike Johnson, afirmou que pretende aprová-lo até esta quarta-feira. Trump classificou o acordo para reabrir o governo como "muito bom".

A medida prorroga o financiamento federal até 30 de janeiro, mantendo o governo no caminho de adicionar cerca de US$ 1,8 trilhão por ano à dívida pública, que já soma US$ 38 trilhões.

Para os mercados, o possível encerramento do shutdown guarda a promessa de normalização. A falta de financiamento deixou centenas de milhares de servidores em licença não remunerada, voos em atraso e, no ponto mais sensível para os operadores, o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) no escuro.

CONTADOR - BONUS

A paralisação afetou a divulgação de dados econômicos essenciais para balizar as decisões de política monetária do banco central, como de inflação e de desemprego. A falta de visibilidade sobre a temperatura da economia pode impedir a continuidade do ciclo de cortes de juros —possibilidade aventada pelo presidente do Fed, Jerome Powell, em entrevista coletiva após a reunião de outubro.

Segundo Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o fim do shutdown deve permitir aos investidores melhor compreenderem a economia dos EUA. " A paralisação prejudicou a coleta de informações econômicas pelas agências que estavam fechadas, e elas devem retomar a publicação do que for possível", diz.

Fernanda Campolina, sócia da One Investimentos, afirma que a tendência é que, com o fim da paralisação, o Fed se sinta "mais confortável" para realizar novos cortes ainda em 2025, "o que favorece mercados emergentes como o Brasil".

Reduções nos juros dos EUA costumam ser uma boa notícia para os mercados globais. Como a economia norte-americana é vista como a mais sólida do mundo, os títulos do Tesouro, também chamados de "treasuries", são um investimento praticamente livre de risco.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Quando os juros estão altos, os rendimentos atrativos das treasuries levam operadores a tirar dinheiro de outros mercados. Quando eles caem, a estratégia de diversificação vira o norte, e investimentos alternativos ganham destaque.

No caso do Brasil, há ainda mais um fator que favorece os ativos domésticos: o diferencial de juros. Quando a taxa nos Estados Unidos cai e a Selic permanece em patamares altos, investidores se valem da diferença de juros para apostar na estratégia de "carry trade". Isto é: toma-se empréstimos a taxas baixas, como a americana, para investir em mercados de taxas altas, como o brasileiro.

Nesta quarta-feira, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que a autarquia não apresentou em suas comunicações recentes nenhum sinal sobre o que fará com a taxa de juros no futuro, enfatizando que a política monetária seguirá dependente de dados.

"Todo mundo pode fazer a aposta que quiser, mas a gente vai continuar dizendo e fazendo as nossas reações de maneira bem clara, de que não há qualquer tipo de tergiversação sobre o que é o nosso mandato, que é perseguir a meta", disse, durante entrevista coletiva em São Paulo.

A ata da última reunião do Copom, divulgada na terça, mostrou que o comitê está mais convicto de que a manutenção da taxa básica de juros do país em 15% por tempo "bastante prolongado" será suficiente para levar a inflação à meta.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas