Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 08h50m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Dólar cai a R$ 5,12 com busca por divisas emergentes e pesquisa eleitoral

Estadão Conteúdo 25/02/2026 18:43

O dólar emendou o quinto pregão consecutivo de queda nesta quarta-feira, 25, e fechou abaixo do nível de R$ 5,15 pela primeira vez desde 21 de maio de 2024, em mais um dia marcado pela desvalorização global da moeda americana. Embora o real não tenha apresentado o melhor desempenho entre divisas emergentes e de países exportadores de commodities, operadores afirmam que o ganho de musculatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial reforça a tendência de queda da taxa de câmbio.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada pela manhã mostra que o candidato da oposição cresceu e está empatado tecnicamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em simulação de segundo turno. Flávio Bolsonaro tem 46,3% das intenções de voto, enquanto o petista soma 46,2%. O levantamento também indica piora na avaliação do presidente, com leve alta na desaprovação e queda mais acentuada na aprovação.

Afora uma alta pontual no início da tarde, em aparente movimento de realização de lucros, o dólar operou em baixa no restante do pregão, embora não tenha se aproximado da mínima de R$ 5,1191, vista logo após a abertura. No fim das negociações, o dólar à vista recuava 0,59%, a R$ 5,1252 - menor valor de fechamento desde 21 de maio de 2024 (R$ 5,1168). Após queda de 4,40% em janeiro, a moeda americana recua 2,33% em fevereiro. No ano, as perdas são de 6,63%.

SESC PICASSO

O gestor de fundos multimercados Marcelo Bacelar, da Azimut Brasil Wealth Management, observa que o ambiente externo continua favorável ao real, com depreciação global do dólar e aumento do fluxo de recurso para ativos emergentes.

No caso do Brasil, ele destaca que a derrubada das chamadas tarifas recíprocas pela Suprema Corte dos EUA, seguida pela adoção de taxa global de 10% por Donald Trump, representa um alívio tarifário para o setor manufatureiro exportador brasileiro. Outro ponto positivo para o real, embora não tenha influência direta na formação da taxa de câmbio neste momento, são os sinais de diminuição do déficit em transações correntes.

CONTADOR - BONUS

"A melhora de Flávio nas pesquisas era de certa forma esperada. Mas a pesquisa de hoje trouxe também uma informação importante, que foi o aumento da desaprovação de Lula. É uma surpresa positiva para o prêmio de risco do país", afirma Bacelar, lembrando que investidores veem a vitória da oposição como passo relevante para a mudança da política fiscal.

Para o gestor da Azimut, o chamado 'trade eleitoral' pode ganhar peso na dinâmica dos ativos domésticos, sobretudo se as próximas pesquisas confirmarem a percepção de chances reais de vitória da oposição na corrida presidencial.

"Eu acho que os fatores idiossincráticos vão ficar mais visíveis. Podemos emendar o trade de emergentes com um trade eleitoral positivo, com a chance de saída desse governo e mudança da política econômica", afirma Bacelar, ressaltando que o real ainda é apoiado pela sazonalidade positiva do fluxo e por uma taxa de juros muito elevada.

À tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial em fevereiro, até o dia 20, está positivo em US$ 3,358 bilhões, com entrada líquida de US$ 1,914 bilhão pelo canal financeiro, que reúne os investimentos em carteira. No ano, o fluxo total soma US$ 8,426 bilhões, graças, sobretudo, ao aporte líquido de US$ 8,136 bilhões pelo canal financeiro.

Anuncio - Raimundo - Bonus

O economista Sergio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, chama a atenção para o ingresso financeiro de US$ 2,34 bilhões no último dia 19, possivelmente refletindo a internalização, pelo Tesouro Nacional, de 50% da emissão externa de US$ 4,5 bilhões realizada neste mês.

O economista André Perfeito, da Garantia Capital, vê espaço para continuidade da apreciação do real. Ele atribui o rali recente da moeda brasileira à depreciação global do dólar e ao fato de que o Brasil é "muito identificado" com commodities, o que "acaba gerando uma demanda maior pela divisa nacional".

Perfeito acrescenta que, hoje, a dinâmica do mercado de câmbio ganhou um "tempero especial" com a pesquisa eleitoral mostrando fortalecimento de Flávio Bolsonaro, 0,1 ponto porcentual à frente de Lula em eventual segundo turno. "Isso quer dizer empate, mas sabemos bem o quanto essa notícia tem a capacidade de racionalizar o movimento recente do dólar na cabeça de muitos investidores", afirma o economista.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas