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Política

Documentário mostra susto de Haddad com avanço da onda Bolsonaro em 2018

FolhaPress 03/07/2024 13:43

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Chega nesta quinta-feira (4) às plataformas digitais o documentário "Partido", que traz bastidores da campanha presidencial de Fernando Haddad (PT) em 2018, ocasião em que o petista foi derrotado por Jair Bolsonaro (então no PSL).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Embora a obra de 1h22min tenha sido feita por simpatizantes do hoje ministro da Fazenda, tenha recebido chancela do personagem principal e seja claramente favorável a ele, ela reúne momentos de intimidade que, no geral, dão um panorama da derrota sofrida pelo PT com a onda de direita que predominou naquele ano.

Entre eles, uma conversa de Haddad com familiares na véspera do primeiro turno.

"Eu estou perplexo. Não estou assustado, mas estou perplexo com o que eu estou vendo. Não é razoável. Ele [Bolsonaro] continua crescendo. Não acho que cresça a ponto de ganhar amanhã [no primeiro turno], mas vai dar trabalho", diz um preocupado Haddad.

No dia seguinte, Bolsonaro recebeu 46% dos votos válidos contra 29,3% do petista. Os dois foram para o segundo turno, e o então candidato do PSL acabou eleito com 55,1% dos votos.

Apesar de acesso a esses bastidores, a equipe não obteve autorização para fazer filmagens em algumas ocasiões, entre elas um momento capital na disputa, a reunião em que ficou definido que Haddad, e não Jaques Wagner, seria o substituto de Lula.

O ex-presidente estava preso devido a condenação na Lava Jato —anulada em 2021—, mas o PT inscreveu seu nome e só fez a substituição a menos de um mês do primeiro turno, após esgotadas as tentativas jurídicas de validar a candidatura .

SESC PICASSO

Em determinado ponto, o filme mostra Haddad falando a Jaques Wagner, por telefone, que ouviu do próprio Lula a manifestação de que ele, Jaques, era o preferido para o posto.

Não é possível saber nem é relatado o que o ex-governador da Bahia respondeu a Haddad. Wagner acabou concorrendo ao Senado, tendo sido eleito. A reportagem procurou o senador da Bahia, por meio de sua assessoria, mas não houve manifestação.

O documentário também mostra Haddad, um tempo depois, conversando por telefone com uma pessoa não identificada e reclamando de quintas-colunas no PT. "Quinta-coluna é um negócio que dói, né?"

"Partido" —o nome teria a ver com o racha no país— é distribuído pela O2 Play. A direção é de César Charlone, Sebastián Bednarik e Joaquim Castro. A produção, de Andrés Benedykt.

Charlone foi diretor de fotografia de "Cidade de Deus" (2002) e Dois Papas (2019) e diretor de "O Banheiro do Papa" (2007) e da primeira série brasileira da Netflix, "3%" (2016-2020).

Charlone e Benedykt disseram à reportagem que a ideia surgiu por volta de 2015 e 2016, período em que o PT enfrentava o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e que via em Haddad, na Prefeitura de São Paulo, um dos últimos bastiões do partido no poder.

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As filmagens tiveram início na tentativa de Haddad de se reeleger prefeito de São Paulo. Após a derrota em primeiro turno para João Doria (PSDB), em 2016, a ideia foi deixada de lado e as imagens não chegaram a ser aproveitadas agora.

De acordo com Benedykt, em dezembro de 2017 Haddad convidou o grupo a retomar as filmagens após ser escolhido como coordenador do programa de governo da candidatura de Lula.

A ideia original era lançar "Partido" em outubro de 2022, entre o primeiro e o segundo turno das eleições daquele ano, mas isso foi adiado a pedido de Haddad —na ocasião, ele disputaria o segundo turno com Tarcísio de Freitas (Republicanos); Lula, com Bolsonaro.

De acordo com Nunzio Briguglio, ex-secretário de Comunicação de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo e que respondeu às perguntas enviadas ao Ministério da Fazenda, "Partido" é uma criação coletiva, assim como foi a decisão de não lançar o filme entre o primeiro e o segundo turnos de 2018.

Ele também encaminhou manifestação de Haddad, feita por meio de sua assessoria. "Partido registra um momento histórico importante. Revela e documenta detalhes de uma caminhada política que culmina com a vitória de Lula em 2022 e se transforma em um legado para as próximas gerações."

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Charlone disse ter reunido 400 horas de filmagem após se tornar, em 2018, uma espécie de "mobília" na casa de Haddad, que teria franqueado a ele amplo acesso. A mulher de Haddad, Ana Estela Haddad, e os dois filhos do casal são figuras constantes no documentário.

Ele afirmou ainda que seu trabalho como cineasta está ligado à conscientização de que vivemos no continente mais desigual do planeta e que, em "Partido", buscou "favorecer um candidato, político e intelectual que trabalha na direção dessa conscientização".

Benedykt destacou trecho do documentário que retrata uma crítica de Haddad à imprensa, que, segundo o petista, estava se omitindo em relação aos ataques que ele recebia de Bolsonaro e do bolsonarismo. "O filme é um documento histórico de um processo que a gente ainda está vivendo, de extrema direita, ódio aos contrários e fake news."

"Partido" já esteve em festivais no exterior e, nesta quarta-feira (3), terá exibição pública gratuita na Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino, São Paulo), às 20h30, com retirada de ingressos uma hora antes, na bilheteria.

PARTIDO

- Quando Disponível para aluguel, a partir desta 5ª, em plataformas digitais

- Onde iTunes (Apple), Google Play/Youtube Filmes, Vivo Play e Claro TV+

- Produção Andrés Benedykt

- Direção César Charlone, Sebastián Bednarik e Joaquim Castro

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