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Dividendo da Petrobras ajuda Lula a aumentar em R$ 50 bi espaço para despesas até 2026

FolhaPress 05/04/2024 11:04

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O pagamento dos dividendos pela Petrobras pode ajudar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a garantir um espaço fiscal adicional no Orçamento de cerca de R$ 50 bilhões de despesas até o final do governo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Esse ponto está no cálculo dos auxiliares do presidente e foi tema da reunião dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia).

Na reunião, os ministros se alinharam na posição de pagar os dividendos extraordinários, medida que precisa ainda passar pelo crivo do Conselho de Administração da Petrobras.

O encontro para debater a liberação de dividendos se deu em meio a crise que envolve o atual presidente da estatal, Jean Paul Prates, cuja saída voltou a ser mencionada após entrevista à Folha do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, o presidente Lula (PT) avalia nomear Aloizio Mercadante, atualmente presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), como substituto de Jean Paul.

Prates tem acumulado embates com a ala política do governo, sendo um dos mais recentes justamente por defender o que agora passou a ser aceito por seus rivais —a distribuição de dividendos. No mês passada, em reunião do conselho da estatal, ele votou pela distribuição de 50% dos dividendos extraordinários e saiu derrotado após o conselho optar por reter os recursos.

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Integrante do governo a par das negociações atuais afirmou à Folha que o que está em jogo por trás do pagamento dos dividendos é garantir esses R$ 50 bilhões de investimentos para a União sem pressionar os investimentos na Petrobras.

Com o pagamento de parcela dos dividendos, o governo reforça o caixa a tempo de conseguir condições favoráveis de receita para poder usufruir do aumento de cerca de R$ 15,7 bilhões em despesas autorizado pelo novo arcabouço fiscal a partir de maio.

Se o pagamento dos R$ 43, 9 bilhões de dividendos for integral, o ministro Haddad reforça o caixa em R$ 12,59 bilhões.

A regra fiscal permite o uso desse espaço em caso de alta na arrecadação, mas condiciona sua efetivação a ter um folga para o cumprimento da meta fiscal de zerar o déficit das contas públicas.

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Se em maio, o relatório bimestral de avaliação de despesas e receitas do Orçamento apontar para a necessidade de um contingenciamento para o cumprimento da meta, o governo não poderá ampliar os gastos.

Pela regra fiscal, não é possível sinalizar o cumprimento da meta e, ao mesmo tempo, usar o espaço de R$ 15,7 bilhões permitido pelo arcabouço, e acabar descumprindo o objetivo fiscal.

Como a elevação do espaço fiscal é permanente no orçamento, Lula garante mais R$ 50 bilhões para gastos em investimentos em três anos (2024 a 2026). Sobre esse valor incide a correção do IPCA e o crescimento real dos gastos.

O tema é considerado estratégico porque a regra prevista no arcabouço é específica para 2024. Se o governo não aproveitar as condições para fazer neste ano, perde a oportunidade.

Outro ponto discutido na reunião foi a chance maior de o pagamento dos dividendos destravar um eventual acordo da Petrobras para o encerramento de litígios com a Receita Federal com base nas regras da lei do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).

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Acordos desse tipo precisam ter também apoio dos acionistas minoritários, que estão com os ânimos exaltados pela retenção dos dividendos. Os minoritários precisam avaliar se o acordo tributário será positivo para a Petrobras, garantindo uma taxa de desconto correta da dívida para limpar o balanço da empresa.

Pelas regras recursos de um eventual acordo para encerrar litígios ingressarem ainda no primeiro semestre deste ano no caixa do Tesouro, essa arrecadação entrará no cálculo para a definição do tamanho do crescimento das despesas no ano seguinte. Até o limite de alta de 2,5% real permitido na nova regra fiscal.

A parcela para o pagamento de dividendos ainda dependerá na análise de risco para a execução do plano de investimentos. O ministro Haddad e sua equipe consideram que o caixa da empresa é robusto e o pagar os dividendos não vai prejudicar o plano de investimentos.

Na reunião, foi discutido o cenário de incertezas no horizonte de curto prazo das contas públicas. Para enfrentar esse cenário de incerteza nas receitas que o governo quer, com o pagamento de dividendos, ganhar margem de manobra e garantir o aumento do espaço de despesas para os próximos anos.

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