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Dino barra pagamento de emendas para obras que causam degradação ambiental

Estadão Conteúdo 04/03/2026 14:59

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira, 3, a proibição de liberação de emendas parlamentares destinadas a obras ou ações em que haja ocorrência de crime ambiental. O magistrado ainda reforça que o ilícito deve ser comprovado "por auto de infração lavrado por órgão ambiental competente e/ou decisão judicial".

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A justificativa é que o uso de dinheiro público para financiar obras ou ações que cometem crimes ambientais vai contra os princípios da moralidade e da boa aplicação dos recursos, previstos na Constituição. Segundo a decisão, "o financiamento público de ilícito ambiental configura afronta aos princípios da moralidade administrativa e da eficiência do gasto público".

A decisão faz parte de uma ação no STF que discute como as emendas parlamentares devem ser executadas. A determinação acolhe uma notificação das entidades Associação Contas Abertas, Transparência Brasil e Transparência Internacional - Brasil. As organizações noticiaram a ocorrência de supostas irregularidades na utilização dos recursos oriundos das emendas.

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Segundo o texto, "o conjunto de evidências já apresentadas demonstra que emendas parlamentares vêm sendo utilizadas por gestores públicos, ainda que pontualmente, para realizar obras que desrespeitam as leis ambientais nacionais e estaduais, podendo, inclusive, ser considerados crimes ambientais".

Dino ainda completa afirmando que o repasse para estes fins "representa, ainda, um desperdício de recursos, posto que estas obras são, com frequência, embargadas ou interrompidas pelos órgãos ambientais".

Proibição de saques em dinheiro

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Na mesma decisão, o ministro também determinou a proibição de saques em dinheiro de recursos provenientes de emendas parlamentares. A decisão estabelece que os valores deverão ser movimentados exclusivamente por meios eletrônicos, como transferências bancárias ou Pix, para garantir maior rastreabilidade dos recursos públicos.

Dino determinou que o Banco Central (BC) regulamente a medida em até 60 dias, em conjunto com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O objetivo é impedir a retirada de valores em espécie tanto das contas que recebem as emendas quanto das contas de empresas ou entidades que sejam beneficiárias finais dos recursos.

Flávio Dino é o relator da ação que declarou inconstitucional o chamado orçamento secreto, esquema de distribuição paralela de emendas parlamentares durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, revelado pelo Estadão. O tema voltaria ao centro das disputas orçamentárias nos meses seguintes.

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Um recurso apresentado por entidades da sociedade civil denunciou que, mesmo após a decisão da Corte, práticas associadas ao orçamento secreto continuavam, como a falta de transparência nos repasses e o uso massivo das chamadas emendas Pix - modalidade que, até então, permitia a parlamentares transferir recursos diretamente a prefeitos e governadores, sem necessidade de definição prévia de como o dinheiro seria gasto.

Como mostrou o Estadão, o STF deverá discutir ainda neste ano a constitucionalidade das chamadas emendas parlamentares impositivas, ou seja, aquelas que obrigam o governo federal a executar os recursos indicados por deputados federais e senadores.

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