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Dino afirma que Mendonça se sobrepôs a Fachin e cita reunião do ministro com Vorcaro

Estadão Conteúdo 09/09/2026 10:33

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que o colega André Mendonça interferiu nas competências de outros ministros da Corte e do plenário ao determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues - ordem que foi revertida em liminar proferida por Dino nesta quarta-feira, 9.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Dino ressaltou que a "interferência" se torna mais "grave" com a revelação de que Mendonça teria recebido o ex-banqueiro Daniel Vorcaro na sede do instituto educacional do magistrado em São Paulo. Vorcaro é investigado em inquérito relatado por Mendonça sobre as fraudes no Banco Master.

"Friso que não há aqui qualquer juízo de valor antecipado sobre o que se passou nessa reunião privada, realizada em ambiente particular. Cuida-se, contudo, de situação complexa, que demanda o exercício de virtudes republicanas inerentes à magistratura: moderação, equilíbrio e prudência", afirmou Dino.

Dino destacou ainda que o presidente do Supremo, Edson Fachin, reconheceu a competência do plenário para analisar tanto a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro quanto a suposta atuação irregular de Mendonça na condução das investigações. Fachin abriu prazo, ainda em curso, para que os dois ministros se manifestem.

SESC PICASSO

"A decisão do ministro André Mendonça, portanto, sobrepõe-se ao procedimento instaurado pela Presidência da Corte, no qual Sua Excelência figura como parte. Indaga-se: uma parte pode ser juiz de si mesma e antecipar juízos de valor sobre relatórios da Polícia Federal que expressamente a mencionam?", questiona o ministro.

O ministro ainda deu razão à carta divulgada na última terça-feira, 8, por dez ex-presidentes do STF pedindo que os relatórios da PF que embasaram as decisões controversas dos últimos dias sejam analisados pelo plenário.

CONTADOR - BONUS

Enquanto o Plenário não se manifestar, ressalta Dino, as investigações em curso sobre o repasse de emendas parlamentares para financiar o filme "Dark Horse" não podem ser "interrompidas em face de caos administrativo imposto externamente à Polícia Federal, com a demissão de todo o seu corpo diretivo.

"E, o que é pior, com a determinação de suspensão de atividades de inteligência da Polícia Federal do Brasil, como se houvesse um único Inquérito e um único julgador a envergar a toga do STF", acrescentou.

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