Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 08h47m
Vitória News — Um jornal de verdade
Sustentabilidade

Desmatamento já causa mais de 28 mil mortes por calor por ano e ameaça saúde global

Vitória News 28/08/2025 08:04

Um estudo internacional divulgado nesta quarta-feira (27) revela que o desmatamento de florestas tropicais é responsável por mais de 28 mil mortes anuais causadas por calor extremo. A pesquisa, publicada na revista científica Nature Climate Change, é a primeira a avaliar de forma ampla os efeitos da perda de cobertura florestal em escala pantropical, abrangendo as Américas, a África e a Ásia.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Segundo os resultados, há uma ligação direta entre a redução de florestas, o aumento da temperatura local e a elevação da mortalidade. O levantamento estima que 28.330 pessoas morrem todos os anos por causa do calor intensificado pelo desmatamento — e quase todas essas mortes poderiam ser evitadas.

O trabalho foi liderado pelo Instituto de Ciência do Clima e Atmosfera da Universidade de Leeds (Reino Unido), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Kwame Nkrumah de Ciência e Tecnologia (Gana).

Populações mais vulneráveis sofrem os maiores impactos

SESC PICASSO

De acordo com os pesquisadores, em quase 20 anos (2001 a 2020), 345 milhões de pessoas foram expostas ao aquecimento local resultante do desmatamento em regiões tropicais. Durante esse período, a temperatura média da superfície terrestre aumentou 0,27 °C durante o dia nas áreas afetadas.

Apesar de parecer um valor pequeno, esse aumento teve efeitos diretos sobre a saúde, elevando o risco de mortes por calor. Os impactos foram distribuídos de forma desigual pelo mundo:

Região Mortes anuais atribuídas ao desmatamento Principais fatores
Sudeste Asiático 15.680 Vulnerabilidade da população da Indonésia ao calor
África tropical 9.890 Maior número de pessoas expostas, mas menor vulnerabilidade térmica
Américas Central e do Sul 2.520 Forte aquecimento, mas menor densidade populacional nas áreas críticas

Perda florestal e aquecimento local

CONTADOR - BONUS

No período analisado, a perda de cobertura florestal chegou a 1,6 milhão de km². As maiores reduções foram registradas nas Américas Central e do Sul tropical (760 mil km²), seguidas do Sudeste Asiático (490 mil km²) e da África (340 mil km²).

As consequências foram imediatas: enquanto áreas preservadas registraram aumento médio de +0,20 °C, regiões desmatadas chegaram a aquecer +0,70 °C, mais de três vezes acima da média.

Entre os pontos mais críticos, áreas de 1 km² que tiveram os maiores aumentos de temperatura — acima de quatro desvios padrão da média — coincidiram com o desmatamento em 60% dos casos.

Consequências para a saúde e o trabalho

Além do aumento da mortalidade, o calor extremo induzido pelo desmatamento impacta diretamente a produtividade laboral. Estima-se que, apenas entre 2003 e 2018, 2,8 milhões de trabalhadores em regiões tropicais foram expostos a temperaturas acima dos limites seguros para o trabalho ao ar livre.

Essa exposição compromete tanto o desempenho físico quanto o cognitivo, além de estar associada a doenças cardiovasculares e a um aumento significativo no risco de morte por diversas causas.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Desigualdade e vulnerabilidade

Os efeitos do calor são ainda mais graves em países de baixa renda, onde a população tem pouco acesso a tecnologias adaptativas, como o ar-condicionado, e depende de sistemas de saúde frágeis.

Isso significa que comunidades pobres, frequentemente situadas em regiões tropicais, enfrentam uma dupla vulnerabilidade: estão mais expostas ao calor extremo e têm menos recursos para se proteger.

“Além da regulação climática, os serviços ecossistêmicos florestais são essenciais para o bem viver e a qualidade de vida das populações locais. Assim, a redução do desmatamento também é uma questão de saúde pública, pois evitamos mortes por calor e garantimos condições climáticas mais favoráveis para populações em situação de vulnerabilidade que dependem diretamente desses ecossistemas”, destacou a pesquisadora da Fiocruz Piauí, Beatriz Oliveira, coautora do estudo.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas