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Desmatamento avança no entorno de áreas protegidas da Amazônia Legal

Relatório do Imazon aponta que maior parte das perdas ocorre fora dos limites formais, mas pressão interna segue elevada em unidades estaduais

Vitória News 09/02/2026 09:31
Desmatamento avança no entorno de áreas protegidas da Amazônia Legal
Foto: Orlando K Junior/Divulgação/ABr

O desmatamento na Amazônia Legal segue concentrado, principalmente, no entorno de áreas protegidas, como unidades de conservação e terras indígenas. É o que mostra o relatório Ameaças e Pressão em Áreas Protegidas, elaborado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), com base em imagens de satélite analisadas entre outubro e dezembro de 2025.

O estudo utiliza recortes territoriais de 10 quilômetros quadrados, chamados de células, para identificar tanto a perda de vegetação dentro das áreas protegidas quanto no entorno imediato desses territórios. Ao todo, foram identificadas 904 células com ocorrência de desmatamento na Amazônia Legal, envolvendo unidades de conservação federais e estaduais, além de Terras Indígenas.

Desse total, 577 células, o equivalente a 64%, indicam situações classificadas como ameaça, ou seja, desmatamento localizado fora dos limites formais das áreas protegidas. Outras 327 células, cerca de 36%, apontam pressão direta, quando a perda de vegetação ocorre dentro dessas áreas.

Segundo a pesquisadora do Imazon, Bianca Santos, a distinção entre ameaça e pressão é fundamental para entender a dinâmica do desmatamento. “O que a gente considera ameaça é o que acontece próximo às áreas protegidas, partindo do limite, tanto da Terra Indígena [TI] quanto da Unidade de Conservação Federal [UC], em até 10 quilômetros, que também é conhecido como zona de amortecimento. O que acontece dentro dos limites das áreas protegidas já é considerado pressão, que quer dizer que o desmatamento já está invadindo o território”, explica.

Diferenças entre tipos de áreas protegidas

A análise por categoria revela comportamentos distintos. Nas unidades de conservação estaduais, os dados mostram equilíbrio entre ameaça e pressão, com 50% de ocorrência em cada situação. Já nas Terras Indígenas, 68% das células foram classificadas como ameaça e 32% como pressão. Nas unidades de conservação federais, a ameaça representa 69% das ocorrências, enquanto a pressão interna corresponde a 31%.

No ranking das áreas mais pressionadas no último trimestre de 2025, a Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, aparece em primeiro lugar, com maior número de células de desmatamento identificadas dentro de seus limites. Em seguida, figuram a Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, no Pará, e a Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, também no Pará.

Áreas mais ameaçadas

Quando o foco se volta exclusivamente para a ameaça no entorno das áreas protegidas, a Floresta Nacional de Saracá-Taquera, no Pará, lidera o ranking, com maior número de registros de desmatamento a até 10 quilômetros de seus limites. Na sequência aparecem a Reserva Extrativista Chico Mendes e a Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns.

Para Bianca Santos, a repetição de determinadas áreas entre as mais ameaçadas e pressionadas ao longo do tempo indica falhas estruturais no enfrentamento do desmatamento. De acordo com a pesquisadora, os dados históricos mostram um padrão recorrente. “Infelizmente, o que a gente enxerga no decorrer do tempo do relatório de ameaça e expressão é justamente a recorrência de áreas que antes tiveram muito ameaçadas, hoje já se encontram muito pressionadas também”, conclui.

Fonte: Agência Brasil

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