O desfile da Escola de Samba Independentes de Boa Vista, de Cariacica, campeã do carnaval 2025, gerou intensas discussões na Assembleia Legislativa (Ales) nos últimos dias. O enredo da agremiação, que homenageou o renomado fotógrafo Sebastião Salgado, foi alvo de críticas e elogios, principalmente pela ala que retratou a história do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A polêmica foi debatida durante as sessões da terça-feira (25) e quarta-feira (26), com declarações divergentes de deputados e até uma reação oficial do prefeito de Cariacica.
A deputada Camila Valadão (PSOL) defendeu o enredo, destacando a importância de Sebastião Salgado para a cultura e a fotografia mundial. Ela também criticou a postura do prefeito Euclério Sampaio, que anunciou a interrupção dos repasses financeiros à escola, após o desfile deste ano. “Acredito que a nota divulgada pelo prefeito tenta prejudicar a escola, sem considerar o respeito ao trabalho artístico e cultural que foi desenvolvido”, afirmou a parlamentar.
Valadão ainda destacou a importância da obra de Salgado, ressaltando que a Exposição Terra, que abordou a realidade do MST, foi uma das maiores exposições de seu trabalho, levando a mensagem de Sebastião Salgado a vários países ao redor do mundo. "Quem conhece os quesitos para a disputa de uma escola de samba sabe que o tema do enredo precisa ser respeitado. Não podemos simplesmente excluir um tema tão relevante por motivos ideológicos ou políticos", completou.
Por outro lado, o deputado Lucas Polese (PL) fez duras críticas ao enredo, especialmente pela abordagem do MST, movimento que, segundo ele, representa uma ameaça à ordem pública. Polese saiu em defesa do prefeito Euclério Sampaio, elogiando a decisão de não financiar mais a escola. “O prefeito mostrou sabedoria ao ouvir a população de Cariacica, que rejeita qualquer apoio a movimentos que promovem invasões e violência. O MST tem um histórico de ações criminosas, e não podemos financiar com dinheiro público a apologia a esse tipo de movimento”, afirmou Polese.
O deputado Denninho Silva (União) também se manifestou contra o MST, chamando o movimento de "bizarro" e "falta de respeito". Ele destacou que a invasão de propriedades privadas prejudica aqueles que trabalham para conquistar a terra e a propriedade. “Não podemos apoiar ações criminosas que afetam a vida de tantas pessoas que trabalham e investem honestamente em suas terras”, disse.
Por sua vez, o deputado Capitão Assumção (PL) ressaltou a seriedade do uso de dinheiro público, argumentando que o apoio a uma escola de samba que faz apologia ao MST não pode ser tolerado. "O dinheiro do povo não pode ser usado para apoiar grupos que incitam a violência e a criminalidade", declarou Assumção.
O deputado Callegari (PL) também reforçou sua oposição à homenagem ao MST, afirmando que o movimento representa um grupo terrorista que promove invasões, destruição e violência no campo. "Não faz sentido utilizar recursos públicos para apoiar uma organização que destrói propriedades e vidas no interior do Estado", afirmou Callegari.
A polêmica, que envolveu discussões sobre a liberdade artística e os limites do financiamento público a manifestações culturais, segue gerando debates intensos na política capixaba, especialmente entre os defensores da escola de samba e aqueles que criticam a abordagem política do enredo.
Entenda a polêmica em detalhes
| Deputado | Posicionamento | Argumentos principais |
|---|---|---|
| Lucas Polese (PL) | Crítico ao enredo | Defendeu o prefeito Euclério, criticando o MST como movimento criminoso e terrorista. |
| Camila Valadão (PSOL) | Defensora da escola de samba | Apoio à independência artística e ao respeito pela obra de Sebastião Salgado, defendendo a importância cultural do enredo. |
| Denninho Silva (União) | Crítico ao MST | Considerou o MST como “bizarro” e “falta de respeito”, defendendo a propriedade privada. |
| Capitão Assumção (PL) | Crítico ao enredo | Reforçou a seriedade do uso de recursos públicos e a rejeição ao apoio a movimentos que, segundo ele, promovem violência. |
| Callegari (PL) | Crítico ao MST | Considerou o MST uma organização terrorista e defendeu a interrupção de repasses públicos à escola de samba. |
A questão ainda promete ser discutida nos próximos dias, já que envolve questões sensíveis sobre arte, política e o uso de recursos públicos. O que parece certo é que o desfile da Independentes de Boa Vista continuará repercutindo nas discussões políticas do Espírito Santo.