Deputada cobra mobilização no Abril Laranja após salto nas denúncias e casos recentes no estado
O aumento dos casos de maus-tratos a animais no Espírito Santo foi destaque na sessão ordinária desta quarta-feira (15). A deputada Janete de Sá (PSB) defendeu a ampliação da mobilização durante a campanha Abril Laranja, voltada à conscientização e combate à crueldade animal.
Dados da Polícia Civil e do Disque-Denúncia 181, vinculado à Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), mostram crescimento expressivo nas denúncias. Em 2025, foram registrados 4.952 casos, contra 3.762 em 2024 e 620 em 2023 — aumentos de 32% e 699%, respectivamente.
Em 2026, a tendência de alta se mantém. Apenas no primeiro trimestre, foram contabilizadas 1.912 denúncias e 65 animais resgatados em situação de risco.
Durante o pronunciamento, a parlamentar destacou o papel do Abril Laranja como período de alerta e engajamento social no enfrentamento à violência contra animais.
A deputada relatou episódios acompanhados no estado. Em Marataízes, uma cadela e dez filhotes foram encontrados em condições precárias, com o tutor notificado para adoção de medidas.
Já em Cariacica, no bairro Castelo Branco, uma operação identificou nove animais em situação de maus-tratos. Um deles não resistiu.
Os casos recentes, segundo a parlamentar, evidenciam a gravidade e a recorrência desse tipo de crime.
Levantamento do Ministério do Meio Ambiente aponta que 71% dos autores de maus-tratos a animais também praticam crimes contra pessoas, indicando relação entre a violência animal e a violência social.
A legislação brasileira prevê punições para esse tipo de crime. A Lei de Crimes Ambientais (9.605/1998) tipifica os maus-tratos, e, no caso de cães e gatos, a pena pode chegar a 2 a 5 anos de reclusão, conforme atualização da Lei 14.064/2020.
A campanha Abril Laranja tem adesão nacional e conta com ações simbólicas, como a iluminação de prédios públicos. No Espírito Santo, um dos destaques foi a iluminação do Grande Buda, em Ibiraçu.
A parlamentar ressaltou que o enfrentamento ao problema depende da participação da sociedade, com denúncias e conscientização sobre a proteção animal.