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Defesa de Cid sugere erro da investigação e diz que vídeo de reunião em nada muda delação

FolhaPress 10/02/2024 11:21

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O advogado do tenente-coronel Mauro Cid, Cezar Roberto Bitencourt, avaliou como ótimo o vídeo divulgado na sexta-feira (9) da reunião ministerial de Jair Bolsonaro (PL) em que o ex-presidente e auxiliares discutem claramente cenários golpistas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Bitencourt disse à reportagem que o conteúdo da gravação serviu para mostrar uma postura "arbitrária, prepotente e de determinação" do ex-presidente. "Ninguém fala, e ele tentando armar, deu para ver", afirmou. "Eu adorei ouvir aquela audiência, a balbúrdia, a prepotência", acrescentou.

Apesar disso, ele disse que a divulgação "não muda em nada" o acordo de delação premiada firmado pelo ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

O advogado também afirmou não fazer a "menor ideia" se o militar será chamado novamente para depor por conta das revelações do vídeo, mas que Cid está à disposição. "Estamos nadando de braçada, estamos felizes. Cid está se sentindo bem e tranquilo", disse.

Questionado sobre os motivos de ele não ter falado antes sobre o vídeo, encontrado em seu computador pela Polícia Federal, a defesa afirmou que isso não faz diferença.

SESC PICASSO

"Tem um monte de prova, de elementos. Ele não lembrava. Não faz a menor diferença", disse.

"Não sei quem gravou o vídeo, imagino que seja uma gravação oficial. Não estou preocupado com quem gravou, quem deixou de gravar. Isso não tem a menor importância, e sim o conteúdo do vídeo."

Além disso, o advogado disse que é "coisa" da mídia as especulações de que investigadores do caso não teriam gostado de Cid ter omitido a reunião em sua delação.

"Quando eu sou réu, sou investigado, e a autoridade policial me chama lá para ser ouvido, vou com o meu advogado —o melhor que eu tiver— e vou responder as perguntas que eles me fizeram. Ponto, acabou."

Ele também afirmou que, se alguém errou, foram os investigadores que não perguntaram sobre o vídeo.

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"São anos de fatos, de acontecimentos, de coisas. Como é que eu vou lembrar? Quem tem de perguntar são as autoridades. Se você quer saber, eles fazem um rol de perguntas, centenas delas. Por horas e horas, lá, dando depoimentos. Eu vou lembrar? Vou ter que lembrar de detalhes de uma coisa? Quem tem que lembrar é quem investiga. Chama-se investigação. Eles investigam. Se alguém errou, falhou, foram eles."

O advogado disse também não ter preocupação sobre o diálogo achado entre Cid e o major das Forças Especiais do Exército Rafael Martins de Oliveira sobre o pagamento de R$ 100 mil para custear a ida de manifestantes à Brasília. "Se verificar o contexto que ele falou, não temos nenhuma preocupação", disse.

O vídeo revelado mostra uma reunião realizada em 2022, a três meses do primeiro turno, em que Bolsonaro aparece propagando notícias falsas sobre as urnas eletrônicas e pedindo que seus subordinados difundissem essas alegações.

Ministros militares presentes, por sua vez, falam em necessidade de "virar a mesa" antes das eleições e que a comissão de transparência eleitoral do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) era para "inglês ver".

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Trechos do vídeo foram transcritos na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal na quinta (8) e que investiga uma organização criminosa que teria atuado na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado democrático de Direito.

A operação também mostrou que Cid, com ajuda de outras pessoas, monitorou a agenda e o deslocamento de Moraes, que também é presidente do TSE.

A ação da PF resultou na prisão de ex-assessores de Bolsonaro e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto —este por ter sido flagrado em posse ilegal de arma de fogo.

Além do próprio Bolsonaro, mirou militares de alta patente e ex-ministros com mandados de busca e apreensão, entre eles os generais Augusto Heleno (ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional), Walter Braga Netto (ex-Casa Civil e candidato a vice) e Paulo Sérgio Nogueira (ex-Defesa).

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