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Política

Cury defende taxação de big techs e diz que levaria Zuckerberg a tribunal internacional

Estadão Conteúdo 28/08/2026 14:09

O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) defendeu uma tributação elevada sobre as grandes empresas de tecnologia e afirmou que pretende responsabilizar judicialmente executivos do setor pelos impactos das plataformas digitais sobre a saúde mental de crianças e adolescentes. A declaração foi dada nesta sexta-feira, 28, durante sabatina promovida pelos veículos CBN, O Globo e Valor.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O candidato citou nominalmente o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, ao defender que executivos de empresas de tecnologia sejam responsabilizados pelos efeitos considerados nocivos de seus produtos.

Ele chegou a dizer que pretende levar Zuckerberg e outros líderes do setor a um tribunal internacional, sob a alegação de que as plataformas teriam contribuído para problemas de saúde mental entre crianças e adolescentes.

Na área econômica, Cury defendeu uma tributação elevada para as big techs. A comparação feita pelo candidato foi com a política de impostos aplicada a produtos que podem provocar dependência, como o cigarro. Segundo ele, quanto maior o potencial de dependência de uma plataforma, maior deveria ser a carga tributária sobre a empresa.

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Ao mesmo tempo, Cury afirmou que as redes sociais também podem ser utilizadas como instrumentos de comunicação institucional. Ele citou o próprio governo e o Itamaraty como exemplos de órgãos que deveriam explorar essas plataformas para divulgar o Brasil no exterior.

Cury também disse ser contrário à criação de mecanismos de controle sobre as plataformas e rejeitou a ideia de proibir aplicativos como o Discord. Para o candidato, a resposta aos problemas provocados pelo uso excessivo da tecnologia deveria passar principalmente pela responsabilização das empresas e pela educação das famílias.

Na avaliação do escritor e psiquiatra, o consumo excessivo de conteúdo digital pode contribuir para quadros de dependência, ansiedade e irritabilidade entre jovens. Ele classificou o problema como uma questão de saúde pública e defendeu que os pais estabeleçam períodos de afastamento dos celulares, especialmente aos fins de semana.

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Cury também afirmou que crianças de até 14 anos não deveriam ter contato com redes sociais. Ao comentar casos de automutilação e tentativas de suicídio associados ao ambiente digital, disse que as empresas deveriam ser submetidas a multas de valores elevados quando houver comprovação de responsabilidade.

'Minha mente é capitalista, meu coração é social'

Cury também voltou a se colocar fora da disputa tradicional entre direita e esquerda. Durante a sabatina, o candidato criticou a polarização política e afirmou que boa parte dos problemas enfrentados pela população não pode ser classificada de acordo com posições ideológicas.

Para sustentar a tese, ele citou temas como violência contra mulheres, autismo e a perda de autoridade dos professores como questões que, segundo ele, ultrapassam a divisão entre os campos políticos.

O candidato resumiu sua visão política ao afirmar que tem uma "mente capitalista" e um "coração social". Entre os valores que associa ao capitalismo, mencionou meritocracia, empreendedorismo, liberdade de expressão, um Estado mais enxuto e defesa da família.

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Cury também afirmou que é possível reunir posições tradicionalmente identificadas com a direita e pautas sociais sem necessariamente se enquadrar em um dos dois polos. Ao abordar a liberdade de expressão, disse ainda que não considera correto atribuir à esquerda, de forma geral, uma defesa do controle das mídias.

Anistia aos condenados pelo 8 de janeiro

Sobre a possibilidade de anistiar os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, Cury afirmou que ainda não tem uma decisão definitiva. Caso seja eleito, disse que pretende formar uma comissão com juristas brasileiros e estrangeiros para avaliar os processos e verificar se houve eventuais irregularidades nos julgamentos.

A proposta, segundo o candidato, seria uma forma de evitar que a questão fosse decidida a partir da polarização entre bolsonaristas e setores da esquerda. Cury afirmou que pretende analisar individualmente a condução dos processos antes de tomar uma posição sobre a concessão de anistia.

O candidato também defendeu a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) caso, em sua avaliação, magistrados cometam erros no exercício da função.

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