Encontro em Nova Délhi reúne 11 países; Brasil será representado por Mauro Vieira, enquanto Xi Jinping e Vladimir Putin estão entre os líderes esperados
A Índia recebe neste sábado (12) e domingo (13), em Nova Délhi, a 18ª Cúpula do Brics, encontro que reunirá as principais economias emergentes do bloco em meio a conflitos internacionais, tensões comerciais e discussões sobre novas formas de integração econômica.
A reunião ocorre no Bharat Mandapam e marca os 20 anos de trajetória do Brics. A Índia exerce a presidência rotativa do grupo em 2026 e definiu como tema do encontro a construção de resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade.
Atualmente, o Brics reúne 11 países: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.
Segundo dados divulgados pelo governo indiano, os integrantes do bloco representam aproximadamente 49,5% da população mundial, 40% do Produto Interno Bruto global e 26% do comércio internacional.
Brasil será representado por Mauro Vieira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participará presencialmente da cúpula. A representação brasileira ficará a cargo do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A ausência ocorre em um momento em que Lula mantém agenda política no Brasil às vésperas das eleições de outubro.
Mesmo sem a presença do presidente, o Brasil chega ao encontro depois de ter exercido a presidência do Brics em 2025 e de defender, durante sua gestão, maior cooperação entre os países emergentes, reforma das instituições multilaterais e desenvolvimento de mecanismos financeiros capazes de facilitar o comércio entre os integrantes.
Pagamentos digitais entram na discussão
Uma das propostas que pode ganhar destaque durante a cúpula é a integração dos sistemas de moedas digitais emitidas pelos bancos centrais dos países do Brics.
A Índia pretende avançar nas discussões sobre formas de conectar esses sistemas para facilitar pagamentos internacionais, reduzir custos e acelerar operações comerciais entre os membros.
A proposta não significa a criação imediata de uma moeda única do Brics. A discussão envolve a interoperabilidade de sistemas nacionais de pagamento e de moedas digitais dos bancos centrais.
O tema dá continuidade às negociações realizadas durante a presidência brasileira do bloco, em 2025, quando os países defenderam avanços na integração dos sistemas de pagamentos internacionais.
A implementação, no entanto, enfrenta obstáculos técnicos e políticos, além das diferenças regulatórias e financeiras entre os integrantes.
Xi, Putin e outros líderes são esperados
Entre os principais participantes confirmados estão o presidente da China, Xi Jinping, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian.
Também são esperados o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa; o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi; o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto; e o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed.
Para Xi Jinping, o encontro também marca uma visita de forte significado diplomático. Será sua primeira viagem à Índia em cerca de sete anos.
China e Índia vêm tentando reduzir tensões depois de anos de disputas envolvendo a fronteira entre os dois países. Uma reunião bilateral entre Xi e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi está sendo organizada durante a passagem do presidente chinês pelo país.
Guerras aumentam desafio diplomático
Além da agenda econômica, as guerras e tensões geopolíticas devem ocupar parte importante das discussões.
O conflito no Oriente Médio representa um dos maiores desafios para a construção de uma posição comum porque o Brics reúne países com interesses e relações diplomáticas distintas na região.
O grupo também deverá discutir a situação internacional mais ampla, incluindo conflitos, sanções econômicas, segurança energética e os efeitos das disputas geopolíticas sobre o comércio e as cadeias de suprimentos.
A ampliação do Brics aumentou o peso econômico e político do grupo, mas também tornou mais complexa a construção de consensos entre seus integrantes.
Brasil e Índia ampliam comércio
A realização da cúpula ocorre também em um momento de aproximação econômica entre Brasil e Índia.
Nos primeiros sete meses de 2026, a corrente de comércio entre os dois países alcançou US$ 10,1 bilhões, crescimento de 32,9% na comparação com o mesmo período anterior.
Brasil e Índia discutem ainda a ampliação do Acordo de Comércio Preferencial entre Mercosul e Índia, acesso a mercados, redução de barreiras comerciais e novos investimentos.
Os dois países também vêm ampliando a cooperação em áreas como energia, mineração, minerais críticos, indústria e tecnologia.
O que esperar da cúpula
Além das discussões sobre pagamentos internacionais e cenário geopolítico, a presidência indiana pretende avançar em iniciativas relacionadas a inovação, empreendedorismo, sustentabilidade, infraestrutura e integração das cadeias produtivas.
A expectativa é que os líderes divulguem ao final do encontro uma declaração conjunta com as principais posições e compromissos assumidos pelo grupo.
A capacidade dos 11 integrantes de chegar a consensos sobre temas internacionais sensíveis será um dos principais pontos de atenção da cúpula deste fim de semana.
Fonte: Governo da Índia, Ministério das Relações Exteriores da Índia, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Ministério de Minas e Energia e Reuters.
Para conferência da apuração: a Índia confirma a cúpula em 12 e 13 de setembro e o tema de sua presidência; o governo brasileiro registra os 11 integrantes do bloco; o MDIC informa que o comércio Brasil-Índia alcançou US$ 10,1 bilhões nos primeiros sete meses de 2026; e fontes diplomáticas confirmam Mauro Vieira como representante brasileiro.