Entidade que representa servidores administrativos fala em uso político do Judiciário; delegados e integrantes da cúpula da corporação também contestaram a medida
A reação dentro da Polícia Federal ao afastamento do diretor-geral Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, ganhou novo capítulo com a manifestação do Sindicato Nacional dos Servidores do Plano Especial de Cargos da Polícia Federal (SinpecPF).
A entidade, que representa cerca de 2 mil servidores administrativos da corporação em todo o país, declarou apoio aos dois dirigentes e criticou o que classificou como uso político do Poder Judiciário contra a Polícia Federal.
Em nota, o sindicato afirmou que disputas de natureza política não devem comprometer a autonomia e a estabilidade de uma instituição de Estado, especialmente em um período próximo à eleição presidencial.
Segundo o SinpecPF, qualquer medida que atinja a direção da Polícia Federal precisa ser avaliada também pelos possíveis impactos sobre a continuidade dos serviços e o funcionamento da instituição.
O sindicato ressaltou que a PF é formada por milhares de profissionais responsáveis pelas estruturas administrativas e operacionais espalhadas pelo país e manifestou preocupação com os efeitos da crise sobre os servidores.
Andrei Rodrigues e Leandro Almada foram afastados preventivamente por decisão liminar do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido apresentado pelo partido Novo.
A decisão permanece em vigor.
Reação se espalha pela Polícia Federal
A manifestação do SinpecPF se soma a outras reações públicas dentro da própria Polícia Federal.
Onze integrantes da cúpula da corporação divulgaram carta em apoio a Andrei Rodrigues e Leandro Almada e colocaram os cargos à disposição do diretor-geral interino, William Marcel Murad.
No documento, os diretores repudiaram tentativas de atribuir aos dirigentes afastados ou à Polícia Federal uma atuação não republicana e defenderam a trajetória profissional de Andrei e Almada.
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), que representa cerca de 2,3 mil delegados, também criticou a forma como ocorreu o afastamento.
Segundo a associação, uma medida contra o diretor-geral da Polícia Federal deveria ser tomada pelo plenário do Supremo, e não por decisão individual de um ministro, ainda que posteriormente submetida à análise de um colegiado.
A ADPF classificou o momento como uma “crise institucional grave” e demonstrou preocupação com os efeitos dos procedimentos recentes sobre a estabilidade interna da corporação.
Julgamento no STF está interrompido
A decisão de André Mendonça chegou a ser submetida à Segunda Turma do STF.
O colegiado é formado pelos ministros Luiz Fux, presidente da Turma, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça.
Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam Mendonça, formando maioria de três votos pela manutenção dos afastamentos.
O julgamento, entretanto, foi interrompido depois que Gilmar Mendes pediu vista do processo. Dias Toffoli ainda não havia votado.
No pedido de vista, Gilmar questionou a competência da Segunda Turma para analisar o caso e levantou a possibilidade de a decisão entrar em conflito com precedentes do Supremo relacionados à neutralidade do Estado e ao equilíbrio da disputa político-eleitoral.
Apesar da interrupção do julgamento, a liminar continua válida.
AGU tenta reverter decisão
A Advocacia-Geral da União (AGU) também pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspensão imediata dos afastamentos.
O órgão argumenta que a retirada do diretor-geral da PF interfere em prerrogativa constitucional da Presidência da República e pode provocar desorganização institucional.
Enquanto não houver nova decisão do Supremo, Andrei Rodrigues e Leandro Almada permanecem afastados. William Marcel Murad segue no comando interino da Polícia Federal.
Fonte: Agência Brasil
Para capa, eu gosto ainda mais de: “Crise na PF cresce após afastamento de Andrei Rodrigues; sindicato reage”. Ele transforma as diferentes manifestações em uma narrativa única e tende a gerar mais clique.