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Crise climática já expõe 1,1 bilhão de crianças a múltiplos riscos no mundo

No Brasil, 16 milhões de crianças e adolescentes enfrentam três ou mais ameaças climáticas, como calor extremo, secas e ondas de calor

Vitória News 21/06/2026 07:49
Crise climática já expõe 1,1 bilhão de crianças a múltiplos riscos no mundo
Foto: Fernando Frazão/ABr

Quase metade das crianças e adolescentes do mundo vive exposta a múltiplos riscos climáticos. São 1,1 bilhão de meninos e meninas submetidos a pelo menos três ameaças ambientais capazes de afetar diretamente a saúde, a educação, a segurança alimentar e a própria sobrevivência.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Os dados fazem parte do Relatório de Risco Climático das Crianças 2026, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O levantamento mostra que praticamente todas as crianças do planeta enfrentam ao menos um risco climático, enquanto mais de 4 milhões podem estar expostas a até seis ameaças diferentes.

No Brasil, o cenário também preocupa. Segundo o relatório, 16 milhões de crianças e adolescentes estão expostos a três ou mais riscos climáticos, como secas, calor extremo e ondas de calor. O número representa 3 em cada 10 meninos e meninas brasileiros. Quando considerados dois ou mais riscos, o total passa de 30 milhões, o equivalente a 6 em cada 10 crianças e adolescentes no país.

O estudo mapeia a exposição da população infantil a oito ameaças climáticas recorrentes: enchentes costeiras, secas, calor extremo, queimadas, ondas de calor, enchentes de rios, tempestades de areia e poeira e tempestades tropicais.

Pela primeira vez, o relatório identifica com mais precisão onde essas ameaças se concentram, com que intensidade atingem crianças e de que forma pressionam serviços essenciais, como escolas, unidades de saúde, abastecimento de água, saneamento e proteção social.

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De acordo com a diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, a vida das crianças continua sendo profundamente afetada por ondas de calor, incêndios florestais, secas e enchentes. A avaliação da entidade é que a crise climática deixou de ser uma ameaça futura e já interfere na rotina, no desenvolvimento e nos direitos da infância.

A combinação mais comum de riscos climáticos envolve seca, calor extremo e ondas de calor. Mais de 296 milhões de crianças e adolescentes vivem em áreas expostas simultaneamente a essas três condições. A segunda combinação mais frequente reúne seca, calor extremo e tempestades tropicais, afetando mais de 115 milhões de crianças no mundo.

Algumas regiões concentram riscos ainda mais graves. No Sahel, na África, mais de 4 milhões de crianças enfrentam ao mesmo tempo ondas de calor, calor extremo e tempestades de areia e poeira. Em países asiáticos como Bangladesh, Mianmar e Paquistão, crianças estão expostas a ameaças climáticas em intensidade maior do que em qualquer outra parte do planeta.

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O relatório também mostra que os impactos não se limitam aos países mais pobres. Na Itália, por exemplo, mais de 6 milhões de crianças e adolescentes vivem expostos a ondas de calor prolongadas e secas, evidenciando que a crise climática atinge diferentes níveis de renda e desenvolvimento.

Além dos eventos climáticos extremos, o Unicef analisou dois riscos agravados pelas mudanças no clima: a poluição do ar e a malária. A poluição atmosférica afeta quase todas as crianças do mundo, enquanto 1 bilhão de meninos e meninas estão expostos à malária, o que amplia a vulnerabilidade de populações que já convivem com múltiplas ameaças ambientais.

No Brasil, 95% das crianças e adolescentes, cerca de 47 milhões de pessoas, estão expostos à poluição do ar. Outras 5,6 milhões, o equivalente a 11% da população infantil brasileira, vivem em áreas com exposição à malária.

O Unicef alerta que, sem ações urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, os riscos climáticos devem se tornar mais frequentes e intensos. Isso tende a pressionar ainda mais os orçamentos públicos, os sistemas de saúde, a educação, a segurança alimentar e os serviços de proteção à infância.

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Para enfrentar esse cenário, o relatório recomenda que governos acelerem a redução das emissões, avancem na transição para energias renováveis e incluam crianças e adolescentes no centro das políticas climáticas. A entidade também defende escolas mais seguras e sustentáveis, unidades de saúde resilientes ao clima, sistemas de alerta precoce acessíveis e serviços de água, saneamento e proteção social preparados para emergências.

Outro ponto destacado é a participação de crianças e jovens nas decisões climáticas. Para o Unicef, a educação ambiental e o desenvolvimento de habilidades climáticas são essenciais para que novas gerações compreendam os riscos, participem das soluções e tenham seus direitos protegidos diante da crise ambiental.

Segundo Catherine Russell, o estudo pode ajudar governos e tomadores de decisão a planejar melhor e investir com mais eficiência em serviços públicos resilientes. A mensagem central do relatório é clara: proteger crianças da crise climática exige reduzir emissões, adaptar cidades e comunidades e garantir que políticas ambientais também sejam políticas de proteção à infância.

Fonte: Unicef.

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