A indústria da construção iniciou 2026 com sinais de recuperação moderada, mas ainda enfrenta um ambiente de baixa confiança. Entre janeiro e fevereiro, os indicadores de atividade e emprego apresentaram avanço, indicando retomada pontual após meses de retração.
O nível de atividade subiu e o emprego também registrou melhora, interrompendo uma sequência recente de quedas. Apesar disso, os resultados ainda permanecem abaixo dos patamares observados no mesmo período do ano passado, o que evidencia uma recuperação lenta.
O desempenho contido do setor está diretamente ligado às condições macroeconômicas. Juros elevados continuam sendo um dos principais entraves, afetando tanto o custo das obras quanto o acesso ao crédito por consumidores e empresas.
Além disso, o aumento de custos, especialmente com mão de obra, segue pressionando a atividade e reduzindo a margem de expansão das empresas.
Mesmo com recente redução na taxa básica de juros, o nível ainda é considerado alto para estimular uma retomada mais consistente da construção.
Confiança em baixa prolongada
O Índice de Confiança do Empresário Industrial da Construção permanece abaixo da linha de 50 pontos, sinalizando avaliação negativa do setor. O cenário de desconfiança já se estende por mais de um ano, refletindo percepção desfavorável tanto das condições atuais quanto das perspectivas futuras.
Esse ambiente tem impacto direto nas decisões das empresas, que passam a adotar postura mais cautelosa em relação a contratações, novos projetos e investimentos.
Os indicadores de expectativa voltaram a cair, com destaque para a redução nas projeções de novos empreendimentos e geração de empregos. Parte dos índices já indica expectativa de retração, reforçando o tom mais conservador do setor.
A tendência é de desaceleração na abertura de novos projetos, com empresas aguardando sinais mais claros de melhora econômica antes de ampliar operações.
A utilização da capacidade operacional apresentou leve alta, mas continua abaixo dos níveis registrados em anos anteriores. Já a intenção de investir voltou a recuar, acumulando queda nos últimos meses.
O movimento mostra que, apesar da melhora pontual na atividade, o setor ainda não apresenta confiança suficiente para expandir de forma mais robusta.
O cenário geral indica uma construção em recuperação gradual, mas ainda fortemente condicionada ao ambiente econômico, especialmente ao comportamento dos juros e ao custo de produção.