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Congresso define nesta semana se mantém veto de Lula a PL da Dosimetria; entenda

Estadão Conteúdo 27/04/2026 20:45

O Congresso Nacional define nesta quinta-feira, 30, às 11h, se vai derrubar ou manter o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao chamado PL da Dosimetria, criado para beneficiar condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A proposta redefine a forma de calcular penas, a chamada dosimetria, facilita a progressão de regime e amplia possibilidades de remição de pena.

Para a derrubada do veto, é necessária a maioria absoluta de votos de deputados e senadores - ao menos 257 votos na Câmara e 41 votos no Senado.

Entre os pontos do projeto de lei, quando há mais de um crime cometido no mesmo contexto, prevalece a punição mais grave, sem que ocorra a soma das condenações. Também é estabelecido como padrão para progressão de regime o cumprimento de um sexto da pena, percentual inferior ao atualmente aplicado em crimes com violência ou grave ameaça.

O texto pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro que foi condenado a 27 anos de prisão.

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As mudanças incluem penas mais brandas para crimes cometidos em situações coletivas, quando o réu não exerceu papel de liderança ou financiamento, e a ampliação do uso de atividades de trabalho para abatimento do tempo de prisão.

Segundo parecer da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados, se a lei entrasse em vigor, reduziria o tempo mínimo exigido para a progressão do regime fechado, o que poderia retornar a progressão de regime para o que era estabelecido na legislação antes da aprovação da "Lei Antifacção", no mês passado.

A versão final do PL da dosimetria conta com uma emenda de redação do senador Sérgio Moro (União-PR) que especifica a redução das penas de quem cometeu crimes contra o Estado democrático de direito, ainda que com uso de violência ou grave ameaça.

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Pessoas condenadas nesse âmbito podem progredir de regime ao cumprir um sexto da pena. Já para outros tipos de delitos empregando violência ou grave ameaça, a progressão se dá com ao menos vinte e cinco por cento da pena para réus primários e trinta por cento para reincidentes.

Segundo especialista ouvido pelo Estadão, a emenda não tem o potencial de impedir que a lei alcance crimes além dos contemplados no 8 de Janeiro.

O relator do projeto no Senado, Esperidião Amin (PP-SC), afirma que há uma tentativa de "confundir a opinião pública". "Nós aqui no Senado cuidamos para que ele (projeto de lei) dissesse respeito apenas aos crimes do 8 de Janeiro. Nenhum outro beneficiário periférico", afirma em vídeo em seu perfil do Instagram.

Relembre a tramitação

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O PL da Dosimetria foi aprovado por 291 votos a 198 na Câmara dos Deputados e por 48 votos a 25 no Senado. Em janeiro deste ano, Lula vetou o projeto durante cerimônia do governo federal em defesa da democracia, que marcou três anos do ataque às sedes dos Três Poderes.

O 8 de Janeiro foi objeto de inquérito que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão. Com a aprovação do PL da Dosimetria, Bolsonaro poderia ter a pena reduzida para 20 anos, com diminuição do tempo de regime fechado para dois anos e quatro meses.

Como mostrou o Estadão, existe a possibilidade que, aos moldes do que ocorreu com a PEC do Marco Temporal, o PL da Dosimetria seja judicializado e termine no Supremo Tribunal Federal (STF). Nesse cenário, o processo de análise pela Corte pode se arrastar por anos, mantendo a aplicação da regra aprovada enquanto não há uma decisão definitiva.

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