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Política

Conflito entre Israel e Irã reacende temor de guerra no Oriente Médio e tensão nuclear global

Vitória News 15/06/2025 11:22

O mundo atravessa um momento de tensão crescente diante da intensificação do confronto entre Israel e Irã, que ganhou novos capítulos desde a noite de quinta-feira (12), quando bombardeios israelenses atingiram alvos estratégicos em território iraniano, incluindo instalações nucleares, bases militares e centros urbanos. A resposta iraniana veio em seguida, alimentando o receio de uma escalada bélica de grandes proporções no Oriente Médio, com potencial de envolver armas nucleares e desestabilizar outras regiões.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Disputa por influência no Oriente Médio alimenta rivalidade histórica

Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, o embate entre Israel e Irã tem raízes profundas na disputa por hegemonia regional. Israel, aliado dos Estados Unidos, mantém uma política de expansão e, frequentemente, é acusado de violações de direitos humanos na Palestina, especialmente na Faixa de Gaza. Já o Irã, potência muçulmana xiita, tem histórico de financiamento e apoio a grupos opositores ao Estado israelense, como o Hamas e o Hezbollah.

Para o professor de Geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG), Ronaldo Carmona, Israel enxerga no atual cenário uma oportunidade estratégica de enfraquecer o Irã, mesmo em meio a crises internas enfrentadas pelo governo de Benjamin Netanyahu. “O que a gente pode concluir dessa situação toda é que exatamente o Netanyahu está observando essa janela de oportunidades para realizar o seu projeto do Grande Israel, ou seja, de uma expansão territorial de Israel e de enfraquecimento dos seus adversários em todo o Oriente Médio. Ele está levando a cabo esse projeto, ainda que numa situação política precária”, afirma Carmona.

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O “eixo da resistência” liderado por Teerã

[caption id="attachment_92373" align="alignleft" width="330"] Imagem: ABr[/caption]

Carmona lembra ainda que o Irã exerce há décadas a liderança de um conjunto de grupos armados e milícias que formam o chamado “eixo da resistência islâmica” contra Israel. “O eixo de resistência é exatamente esse conjunto de forças islâmicas aliadas, lideradas por Teerã, que inclui, o Hamas, o Hezbollah, os houthis no Iêmen, milícias iraquianas e incluía o antigo governo sírio de Bashar al-Assad. Isso perdurou por décadas”, diz o professor.

Ele aponta que o enfraquecimento desse eixo ocorreu após sucessivos ataques atribuídos a Israel, culminando no recente e inusitado acidente de helicóptero que matou o presidente iraniano em 2024. “Tudo isso criou uma janela de oportunidades para Netanyahu agir enquanto está enfraquecido internamente”, avalia.

Tensão nuclear reacende debate internacional

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O estopim da atual crise está ligado ao programa nuclear iraniano. Na quinta-feira (12), o Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou uma resolução afirmando que o Irã descumpriu as chamadas salvaguardas — medidas de controle destinadas a garantir que materiais nucleares não sejam desviados para fins militares.

De acordo com o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, o país persa estaria enriquecendo urânio a níveis de até 60% e acumula um estoque estimado em 400 quilos. A resolução foi aprovada por 19 dos 35 membros do conselho.

Em resposta direta, Israel atacou o Irã na sexta-feira (13), atingindo instalações nucleares e fábricas de armamentos e resultando na morte de militares de alta patente e cientistas nucleares. O governo iraniano prometeu uma retaliação “à altura”, acentuando a instabilidade na região.

Versões opostas sobre o uso da energia atômica

Enquanto Israel acusa Teerã de tentar construir armas nucleares com o objetivo de atingir Tel Aviv, o Irã nega qualquer intenção bélica e afirma que seu programa nuclear é voltado exclusivamente para fins pacíficos, como a geração de energia e o uso médico.

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Apesar das acusações, Israel nunca assinou o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e não permite inspeções internacionais. Já o Irã é signatário do tratado e, conforme seus representantes, está sendo alvo de uma campanha politicamente motivada, influenciada por potências ocidentais.

“A AIEA tem mais visitas ao Irã do que todos os países somados. O Irã permite a inspeção e tem um compromisso diplomático desde 2015 de não desenvolver armas nucleares, mas usar a tecnologia para fins específicos, como o desenvolvimento de radioisótopos para a medicina nuclear”, afirma o jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, especialista em Oriente Médio.

Ele também destaca que “quem nunca assinou o TNP e nunca foi fiscalizado é Israel. O general Colin Powell, que comandou a primeira invasão ao Iraque [em 2003] e era de confiança da Família Bush, diz que Israel deve ter cerca de 200 ogivas [nucleares] com mísseis”.

Cenário incerto e risco global

Com os ataques recentes e o aumento das hostilidades, cresce a preocupação com uma possível guerra direta entre os dois países, que pode mobilizar outras potências globais e transformar a crise regional em um conflito de escala internacional. O desdobramento nos próximos dias será determinante para o rumo das relações no Oriente Médio e para os esforços da diplomacia internacional em evitar uma catástrofe nuclear.

Fonte: ABr
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