A Câmara de Vitória abriu mais um espaço de debate sobre o futuro da mobilidade urbana e os desafios de adaptação da infraestrutura da cidade. Nesta semana, a Comissão de Obras e Serviços, presidida pelo vereador Armandinho Fontoura (PL), analisou dois Projetos de Lei e promoveu uma discussão sobre a instalação de pontos de recarga para veículos elétricos e híbridos em áreas públicas e privadas, com destaque para condomínios residenciais e comerciais.
O encontro contou com a participação do presidente do Sindicato Patronal dos Condomínios e Empresas de Administração de Condomínios do Espírito Santo (Sipces), Gedaias Freire da Costa, e da comunicadora e ex-secretária de Comunicação de Montanha, Thalita Fernandes. A proposta central foi avaliar como regulamentar o tema sem impor custos excessivos e sem comprometer a segurança dos moradores.
Durante a reunião, o vereador Armandinho anunciou que está propondo a realização de uma audiência pública para tratar especificamente da questão.
“Precisamos envolver a sociedade. Já estivemos no corpo de bombeiros, no CREA, mas precisamos trazer todos os entes públicos e privados de Vitória para definirmos a legislação”, destacou o parlamentar.
Segundo ele, projetos já tramitam na Câmara de Vitória, mas necessitam de ajustes para garantir segurança, sem transferir custos indevidos aos moradores. “Nem todo morador tem um carro elétrico ou híbrido num condomínio. Então é um debate muito técnico e complexo que exige toda nossa atenção. Um problema sério é o incêndio do veículo, que não apaga com pó químico, mas com muita água", acrescentou, lembrando dois casos de incêndio registrados na Praia do Canto.
O presidente do Sipces, Gedaias Freire da Costa, reforçou as preocupações da categoria. Ele lembrou que a maioria dos condomínios no Estado é de pequeno porte e funciona por meio de rateio de despesas.
"Como os novos veículos possuem mais material plástico e inflamável, o Corpo de Bombeiros quer impor aos condomínios o prazo de três anos para fazer obras de gerenciamento de risco, mas isso não está bem explicado”, observou.
Segundo Gedaias, síndicos não têm conhecimento técnico para executar esse tipo de gerenciamento e teriam que contratar engenheiros especializados, o que aumentaria os custos. “Não somos contra carros elétricos, mas do jeito que as coisas caminham não teremos carro elétricos em condomínios”, afirmou.
Ele ainda destacou a necessidade de regulamentar o uso das bicicletas elétricas. “Quero trazer esse debate para alertar o risco e mitigar os problemas, evitando gastos para os cidadãos e garantindo a segurança".
O vereador Maurício Leite (PRD) acrescentou que os custos de manutenção também precisam ser considerados. Ele lembrou que, em caso de defeito, a substituição da bateria de um carro elétrico pode representar entre 60% e 70% do valor total do veículo. "Do jeito que está se encaminhando é importante que quem queira um carro não possa impor essas despesas necessárias aos demais", alertou.
A comunicadora Thalita Fernandes ressaltou o papel da informação e da responsabilidade do consumidor nesse processo de transição. “Como comunicadora, vejo a necessidade de conscientizar e responsabilizar os consumidores sem colocar a vida de outras pessoas em risco, e deixando claro os prós e contras do uso desses veículos”, disse.
Ao final, os vereadores decidiram dar andamento à proposta de audiência pública com participação de representantes de órgãos públicos, especialistas, sindicatos e sociedade civil. Além de Armandinho Fontoura e Maurício Leite, também esteve presente na reunião o vereador Luiz Paulo Amorim (PV).