Comissão cobra mais transparência sobre qualidade do ar no ES
Debate na Assembleia Legislativa do Espírito Santo reuniu deputados, técnicos do Iema e representantes da sociedade civil para discutir monitoramento ambiental e poluição atmosférica
Vitória News 19/05/2026 14:33
Foto: Paula Ferreira/Ales
A Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo cobrou do Iema maior transparência na divulgação de dados sobre qualidade do ar no Estado. O tema foi debatido em reunião realizada nesta terça-feira (19), quando técnicos do instituto apresentaram resultados do monitoramento ambiental referentes ao primeiro trimestre do ano.
Durante a reunião, parlamentares apontaram dificuldades de acesso às informações relacionadas à poluição atmosférica e defenderam maior divulgação dos dados à população.
“Eu percebo que temos uma dificuldade de acesso a essas informações. E precisamos tornar isso mais acessível aos capixabas”, afirmou o deputado Fabrício Gandini.
Representando o Iema, o gerente de Qualidade do Ar, Vinícius Rocha, informou que o instituto prepara uma nova plataforma digital para centralizar as informações ambientais.
“Estamos construindo o ‘Portal de Qualidade do Ar’. Queremos dar protagonismo a essa pauta da publicidade e da transparência. Então, esse portal, que já está em construção pela nossa equipe, vai reunir todas essas informações de uma forma mais acessível ao cidadão”, declarou. Segundo ele, a previsão é que o portal seja lançado em setembro.
Atualmente, o Espírito Santo possui 16 estações de monitoramento da qualidade do ar, distribuídas entre Grande Vitória, Anchieta, Guarapari, Linhares e Viana. Parte das unidades é operada diretamente pelo Iema, enquanto outras funcionam por meio de condicionantes ambientais ligadas a empresas privadas.
De acordo com os dados apresentados pelo órgão, 89% das medições realizadas na Grande Vitória durante o primeiro trimestre indicaram qualidade do ar considerada boa. Nos demais períodos, foram registrados índices classificados como ruins ou muito ruins.
“Nesses últimos três meses, a qualidade do ar foi classificada como boa em 89% das medições da Grande Vitória. O restante, nós consideramos que não estabeleceu os limites previstos em lei. São períodos em que foi identificada uma qualidade do ar ruim ou muito ruim. E quando isso acontece, nós investigamos os motivos”, explicou Vinícius Rocha.
O monitoramento também inclui partículas sedimentáveis, popularmente conhecidas como “pó preto”. Segundo o Iema, foram identificadas seis ocorrências acima do padrão estabelecido no primeiro trimestre.
“O Iema identifica essa alteração e uma equipe vai ao local para ver o que está acontecendo. Vou dar um exemplo: tivemos um pico de partículas sedimentáveis na Enseada do Suá. E na visita, entendemos que essa ultrapassagem estava relacionada com a obra pública que estava acontecendo no local. Então precisamos levar em consideração essa dinâmica”, afirmou o gerente.
Representantes da sociedade civil também participaram do debate. O integrante da ONG Juntos SOS Ambiental, Rogério Fraga, cobrou medidas mais efetivas para identificar as fontes de poluição atmosférica.
“Onde estão as ações judiciais incisivas contra as poluidoras? Onde está o DNA do pó preto? O que realmente mudou com relação à qualidade do ar nos últimos anos? Quando teremos a identificação das fontes poluidoras? São perguntas antigas e que ainda não temos respostas”, questionou.
O debate ocorreu após a regulamentação da Política Estadual de Qualidade do Ar, oficializada em 2025 por decreto estadual que estabeleceu novos padrões ambientais, critérios de monitoramento e regras de controle da poluição atmosférica no Espírito Santo.
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