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Política

Collor viveu no Senado estigma do impeachment e propôs mandato para ministros do STF

FolhaPress 28/04/2025 01:05

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Estigmatizado pelo impeachment que sofreu em 1992, o ex-presidente Fernando Collor submergiu nos 16 anos de mandato como senador, focou assuntos ligados à política externa e votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Assessores e parlamentares que conviveram com Collor no Senado descrevem a passagem dele pela Casa como discreta, reservada, tímida e até mesmo inexpressiva —em oposição aos anos de Presidência da República, em que aparecia correndo ou passeando de jet-ski.

Collor foi eleito para o Senado pela primeira vez em 2006 pelo PRTB e reeleito por mais oito anos em 2014. No discurso em que se despediu do mandato, o ex-presidente disse ter chegado ao Congresso otimista; saía, em 2022, preocupado.

"A solução das crises do país e a moderação dos conflitos não passam —repito, não passam— pela excitação do poder das togas, muito menos pelo sonho da marcha dos coturnos. A solução está e sempre estará na interlocução política no seu mais elevado patamar", disse o senador na ocasião.

Durante seu mandato, Collor apresentou duas propostas de emenda à Constituição, mas nenhuma avançou. A primeira tornava o sistema de governo do país em parlamentarismo. A segunda aumentava o número de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) dos atuais 11 para 15 e estabelecia um mandato de 15 anos —hoje, os integrantes da corte ficam no cargo até os 75 anos, independentemente do prazo de permanência.

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O senador dedicou a maior parte do tempo de seus dois mandatos a assuntos internacionais e presidiu a CRE (Comissão de Relações Exteriores) —onde costumava chegar com cinco minutos de antecedência e abrir a sessão pontualmente na hora prevista, segundo relatos.

"Como senador, ele foi bastante atuante em temas de natureza econômica e relações internacionais. Foi um presidente da CRE muito atuante, diligente, que valorizou a comissão. Foi à Síria, fez contatos bastante interessantes", afirma o senador Esperidião Amin (PP-SC) sobre o colega com quem conviveu por quatro anos.

Apesar da atuação comedida, Collor protagonizou um bate-boca histórico com o ex-senador Pedro Simon (ex-PMDB-RS), em 2009. Na ocasião, Simon defendeu o afastamento do então presidente do Senado, José Sarney (ex-PMDB-AP), e citou a relação de Collor com o conterrâneo Renan Calheiros (MDB-AL).

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"As palavras que o senhor acabou de pronunciar são palavras em relação a mim e às minhas relações políticas que eu não aceito. [...] Quero que o senhor as engula e as digira como julgar conveniente", disse Collor a Simon.

"Saía fogo dos olhos dele [Collor]. Me veio a imagem do pai dele no plenário do Senado. A diferença é que o pai dele errou o tiro. No meu caso, eu estava na linha direta", disse Simon no dia seguinte, em referência ao episódio em que o pai de Collor, Arnon de Mello (AL), matou a tiros, por engano, o senador José Kairala (AC), na tentativa de acertar o adversário Silvestre Péricles (AL).

Em outro capítulo marcante, o ex-presidente da República xingou o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot enquanto se defendia da acusação de corrupção que motivou a ida dele para a prisão na sexta-feira (25).

"Afirmações caluniosas e infames. Filho da puta", sussurrou o então senador em agosto de 2015 durante discurso na tribuna do Senado. Ele discursava sobre a apreensão de três carros de luxo na casa dele em Brasília, conhecida como Casa da Dinda, no mês anterior.

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Mesmo tendo sido presidente da República, Collor não costumava chamar atenção pelos corredores do Senado e passava muito tempo no gabinete. Durante as discussões em torno da LAI (Lei de Acesso à Informação) e da criação da Comissão da Verdade, defendeu o sigilo eterno de documentos classificados como ultrassecretos.

O senador Paulo Paim (PT-RS) diz ter boas lembranças do ex-colega. Em 1991, quando Collor era presidente da República, Paim, então deputado federal, anunciou greve de fome para protestar contra o valor do salário mínimo. Segundo ele, Collor mandou avisá-lo que concederia um abono.

"Sempre enfrentei temas polêmicos em relação aos mais conservadores, de compromisso com a responsabilidade social, e ele praticamente me acompanhou em tudo. Eu dizia: presidente, para os trabalhadores, para o campo social, esse projeto não é bom. E ele dizia: tá bom, eu vou te acompanhar."

Collor foi preso na manhã de sexta por decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, que negou um recurso da defesa do ex-presidente na quinta-feira (24) e decidiu dar início ao cumprimento da pena de 8 anos e 10 meses de prisão. Na sexta, a maioria dos ministros da corte acompanhou o entendimento Moraes em votação virtual.

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