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CNI mantém previsão de crescimento de 2% para o PIB brasileiro em 2026

Indústria extrativa e agropecuária sustentam projeção, enquanto juros elevados, inflação e aumento das importações limitam o avanço da economia

Vitória News 23/07/2026 07:18
CNI mantém previsão de crescimento de 2% para o PIB brasileiro em 2026
Imagem gerada por IA/VN

A economia brasileira deve crescer 2% em 2026, segundo projeção divulgada pela Confederação Nacional da Indústria. A estimativa foi mantida em relação ao primeiro trimestre, mas representa desaceleração diante da expansão de 2,3% registrada em 2025.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

De acordo com a entidade, o desempenho esperado será sustentado principalmente pela indústria extrativa, pela agropecuária e pela resiliência do setor de serviços.

Em sentido contrário, os juros elevados, o aumento dos custos de produção e o avanço das importações devem continuar pressionando as empresas e limitando o crescimento da atividade econômica.

Indústria deve crescer 2,1%

A CNI elevou de 1,6% para 2,1% a projeção de crescimento da indústria em 2026. A revisão foi impulsionada principalmente pela expectativa de expansão superior a 9% na indústria extrativa.

O segmento deve ser beneficiado pelo aumento da produção de petróleo e minério de ferro, além de apresentar menor sensibilidade aos efeitos dos juros elevados.

A indústria de transformação continua enfrentando dificuldades provocadas pela entrada de produtos importados, pelo crédito caro e pelo aumento dos custos decorrente da guerra no Oriente Médio.

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Mesmo diante desse cenário, a previsão de crescimento da transformação foi elevada de 0,3% para 0,6%.

Na construção civil, a estimativa passou de 1,3% para 1,5%. O avanço esperado está relacionado às medidas de estímulo ao crédito imobiliário, aos programas habitacionais e à continuidade dos investimentos em infraestrutura.

Agropecuária pode crescer 1,8%

A projeção para a agropecuária foi revisada de 1,1% para 1,8%, na segunda elevação consecutiva feita pela CNI.

A melhora está relacionada à expectativa de uma nova safra recorde, puxada principalmente pela soja, além do crescimento da produção animal.

Apesar do aumento dos preços de fertilizantes e de outros insumos, a entidade avalia que o agronegócio continuará contribuindo para a expansão da economia brasileira.

Serviços têm previsão reduzida

O setor de serviços foi o único com revisão para baixo. A estimativa de crescimento passou de 2,1% para 1,9%.

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Segmentos como informação e comunicação, comércio varejista e mercado de trabalho continuam sustentando a atividade. Programas de financiamento e estímulo ao consumo também favorecem o setor.

Por outro lado, o endividamento e a inadimplência das famílias, juntamente com os juros elevados, restringem o consumo e reduzem o ritmo de expansão.

Inflação pode chegar a 5%

A CNI elevou de 4,4% para 5% a projeção para a inflação oficial do país em 2026.

A revisão considera principalmente o aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis, além da persistência da inflação nos serviços.

Diante da pressão inflacionária e da piora das contas públicas, a entidade passou a prever apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual na taxa Selic durante o ano.

Com isso, os juros básicos devem cair dos atuais 14,25% para 13,75% até o fim de 2026. A estimativa anterior apontava encerramento do ano em 12,75%.

Déficit pode chegar a R$ 55,3 bilhões

A receita líquida do governo federal deve registrar crescimento real de 5,8%, enquanto as despesas da União podem avançar 4,5% acima da inflação.

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A CNI estima que o déficit primário alcance aproximadamente R$ 55,3 bilhões, valor semelhante ao registrado em 2025.

A dívida pública deve encerrar o ano em 82% do PIB, alta de 10,3 pontos percentuais em comparação com o nível observado há dez anos.

Importações pressionam indústria nacional

As importações de bens de consumo cresceram 16% no primeiro semestre, em um cenário de desaceleração da indústria brasileira e da demanda por produtos nacionais.

A previsão é que as compras externas somem US$ 306 bilhões em 2026, aumento de 5,2% sobre o ano anterior.

As exportações devem alcançar US$ 383,9 bilhões, crescimento de 9,5%, impulsionadas pela valorização de commodities como petróleo, minério de ferro e soja.

Caso as projeções se confirmem, a balança comercial brasileira encerrará o ano com superávit de US$ 77,9 bilhões, resultado 30,4% superior ao de 2025.

A entidade alerta, entretanto, que a imposição de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros poderá alterar o desempenho das exportações e aumentar os riscos para a economia.

Fonte: Br61, com informações da Confederação Nacional da Indústria

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