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Economia

CNI lidera missão empresarial aos EUA para negociar tarifaço

Vitória News 03/09/2025 10:41

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) iniciou, nesta quarta-feira (3), uma missão empresarial em Washington (EUA) para tratar diretamente com autoridades e representantes do setor privado americano sobre as tarifas adicionais impostas aos produtos brasileiros. O objetivo é negociar alternativas que possam reverter ou reduzir o tarifaço, que chega a até 50% sobre itens exportados do Brasil.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A comitiva, formada por cerca de 130 empresários, dirigentes de federações estaduais e representantes de associações industriais, tem dois dias de reuniões estratégicas. A agenda inclui encontros no Capitólio, audiências com instituições parceiras, plenária com autoridades públicas e privadas dos dois países e participação em audiência pública na US International Trade Commission, dentro da investigação aberta pelo governo americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Declarações da CNI

SESC PICASSO

O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que o momento exige cautela e diplomacia.
“Estamos trabalhando de forma profissional, eminentemente de forma particular, privada e empresarial. Nesse momento, é muito delicado que nós possamos ter qualquer vontade ou qualquer determinação de aplicar a lei da reciprocidade. Temos momentos tensos, na geopolítica, mas o que nós queremos mesmo é que não seja precipitada nenhuma decisão em que possamos ter essa tratativa e a busca do bom senso”, afirmou.

Segundo Alban, o equilíbrio é essencial para manter a posição brasileira nas negociações. “Óbvio que o cenário não é tão favorável, que nós temos muitas pressões, mas precisamos ter um conceito, soberania também tem a ver com o bem-estar de todos, com o bem-estar da sociedade, com o bem-estar do setor produtivo. Isso não significa, de modo nenhum, perder a soberania, mas não vamos perder a razão”, completou.

Setores e empresas impactados

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Entre os setores mais prejudicados pelas sobretaxas estão máquinas e equipamentos, madeira, café, cerâmica, alumínio, carnes e couro. Empresas de grande porte como Embraer, Stefanini, Novelis, Siemens Energy e Tupy também participam da missão, reforçando a representatividade da indústria nacional.

A comitiva reúne ainda representantes de oito federações estaduais: Goiás (FIEG), Minas Gerais (FIEMG), Paraíba (FIEPB), Paraná (FIEP), Rio de Janeiro (FIRJAN), Rio Grande do Norte (FIERN), Santa Catarina (FIESC) e São Paulo (FIESP).

Investigação dos EUA contra o Brasil

No dia 3 de setembro, a CNI será representada pelo embaixador Roberto Azevêdo em uma audiência pública organizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A investigação, aberta em julho, apura supostas práticas brasileiras em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.

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A entidade brasileira já apresentou defesa técnica, argumentando que o Brasil não adota medidas desleais ou discriminatórias. Para a CNI, não há justificativa jurídica nem factual para o aumento de tarifas, lembrando que o comércio bilateral é historicamente benéfico para ambos os países, com superávit para os EUA.

Impactos econômicos previstos

Estudos da CNI projetam que o tarifaço pode causar prejuízo de até R$ 20 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e resultar na perda de 30 mil empregos. Hoje, 77,8% da pauta exportadora do Brasil para os Estados Unidos enfrenta sobretaxas, atingindo diretamente setores estratégicos como vestuário, têxteis, máquinas e equipamentos.

Para reduzir os impactos internos, a CNI apresentou ao governo federal propostas que incluem linhas de crédito subsidiadas, postergação de tributos e medidas trabalhistas voltadas à preservação de empregos.

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