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Choque prolongado pode exigir política monetária mais restritiva, diz dirigente do Fed

Estadão Conteúdo 29/05/2026 12:22

A vice-presidente de Supervisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Michelle Bowman, afirmou nesta sexta-feira, 29, que o impacto da guerra no Oriente Médio sobre a economia, embora ainda esteja sendo mensurado, pode levar a aumentos persistentes da inflação, exigindo uma política monetária mais restritiva.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Estou otimista de que, assim que o conflito for resolvido, as interrupções no abastecimento (de petróleo) vão diminuir, deixando apenas um impacto temporário na inflação e efeitos mínimos sobre a atividade econômica. No entanto, caso as interrupções persistam até bem adiante no segundo semestre, poderemos começar a observar efeitos mais amplos na inflação", ponderou ela, em discurso na Conferência Econômica de Reykjavík de 2026, na Islândia.

Para a dirigente, quanto mais persistentes forem os preços elevados do petróleo, maior será a probabilidade de ela considerar uma mudança de abordagem ao avaliar o equilíbrio de riscos. "A parte complicada é entender o que pode ou não ter efeitos persistentes sobre a inflação", afirmou.

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Segundo ela, a postura atual "moderadamente restritiva" do Fed busca manter condições estáveis no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, permitir que a inflação retome a trajetória rumo a 2% assim que os efeitos das tarifas e dos preços do petróleo se dissiparem. Reagir a um choque energético temporário pode prejudicar a economia, acrescentou.

Bowman disse ainda que o crescimento dos EUA tem se mostrado resiliente, mas que o mercado de trabalho segue vulnerável a choques adversos e que os avanços na redução da inflação parecem ter "estagnado".

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Em sua visão, uma alta de juros seria justificada caso os preços elevados se mostrem persistentes, em um cenário de emprego sem sinais de folga e de PIB crescendo bem acima do potencial.

Sobre inteligência artificial, Bowman disse que ganhos de produtividade associados à IA podem exercer pressão baixista sobre a inflação. "Políticas favoráveis, incluindo regulamentações menos restritivas e impostos mais baixos para as empresas, provavelmente também contribuirão para essas condições", acrescentou.

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