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Cerrado pode armazenar mais carbono

Estudo aponta que áreas úmidas do bioma guardam até seis vezes mais carbono por hectare que a média registrada na Amazônia

Vitória News 16/03/2026 15:11
Cerrado pode armazenar mais carbono
A pesquisa foi liderada pela cientista Larissa Verona, da UNICAMP. Foto: Rafael Oliveira/Divulgação

A Amazônia e outras florestas tropicais são reconhecidas como importantes reservatórios naturais de carbono do planeta e desempenham papel central no combate às mudanças climáticas. No entanto, novas pesquisas indicam que determinadas áreas do Cerrado também podem exercer função climática ainda pouco considerada.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Estudo publicado nesta quinta-feira (12) na revista científica New Phytologist aponta que áreas úmidas do Cerrado podem armazenar cerca de 1.200 toneladas métricas de carbono por hectare, valor que pode ser até seis vezes maior do que a densidade média registrada na Amazônia.

A pesquisa foi liderada pela cientista Larissa Verona e contou com a participação de pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais, incluindo universidades e centros de pesquisa dedicados ao estudo de ecossistemas.

É a primeira avaliação detalhada dos estoques de carbono presentes nos solos de áreas conhecidas como veredas e campos úmidos do Cerrado.

Carbono acumulado ao longo de milênios

SESC PICASSO

Para realizar o estudo, pesquisadores coletaram amostras de solo em profundidades de até quatro metros. Trabalhos anteriores haviam analisado apenas camadas superficiais, geralmente entre 20 centímetros e um metro, o que levou à subestimação do carbono armazenado nesses ambientes.

A análise revelou que parte do carbono presente nesses solos é extremamente antigo. Testes de datação por radiocarbono indicaram que a matéria orgânica acumulada tem idade média de aproximadamente 11 mil anos, com registros que ultrapassam 20 mil anos.

Esse longo processo de formação ocorre porque as condições úmidas das veredas e campos alagados reduzem a presença de oxigênio no solo, o que desacelera a decomposição de plantas e outros resíduos orgânicos. Como resultado, a matéria orgânica se acumula gradualmente ao longo de milhares de anos.

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O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando cerca de 26% do território brasileiro. Além de ser considerado a savana mais biodiversa do mundo, abriga nascentes que alimentam grande parte das principais bacias hidrográficas do país.

Riscos climáticos com degradação

Apesar da relevância ambiental, pesquisadores afirmam que o papel climático do Cerrado ainda é subestimado em muitos estudos.

Entre as principais ameaças ao equilíbrio desses ambientes estão a expansão da agricultura, a drenagem de áreas úmidas e a retirada de água para irrigação. Quando o solo perde umidade, a matéria orgânica acumulada começa a se decompor rapidamente, liberando dióxido de carbono e metano para a atmosfera.

Os cientistas também observaram que cerca de 70% das emissões anuais de gases de efeito estufa desses ambientes ocorrem durante a estação seca, quando o solo permanece menos úmido e o processo de decomposição se intensifica.

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Com o aumento das temperaturas e a tendência de períodos secos mais longos, há risco de que parte significativa do carbono armazenado no solo seja liberada nas próximas décadas.

Pressão sobre o bioma

O Cerrado enfrenta mudanças intensas no uso do solo. Nas últimas décadas, grandes áreas do bioma foram convertidas para produção agrícola e pecuária, muitas vezes acompanhadas da drenagem de áreas úmidas.

Pesquisadores defendem a ampliação das políticas de proteção dessas regiões e maior reconhecimento do papel climático desempenhado pelo bioma.

Embora a legislação brasileira já preveja proteção para áreas úmidas, estimativas indicam que até metade desses ambientes já sofreu algum grau de degradação. Segundo os autores do estudo, preservar essas áreas é fundamental para evitar a liberação de grandes volumes de carbono acumulado ao longo de milhares de anos.

 

 

 

 

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