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Política

Centrão avalia retaliação ao governo Lula ao preparar manobra na PEC da Blindagem

FolhaPress 17/09/2025 11:21

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O centrão prepara uma manobra para ressuscitar a votação secreta na autorização prévia do Legislativo para investigação de deputados e senadores. O voto sigiloso estava previsto na PEC (proposta de emenda à Constituição) da Blindagem, mas acabou sendo derrubado em plenário na noite de terça (16), em uma vitória de partidos de esquerda e do Novo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Nesta quarta-feira (17), quando a votação da PEC terá continuidade, o relator do texto, deputado Claudio Cajado (PP-BA), recolhe assinaturas para protocolar uma emenda que recoloca essa votação secreta na proposta, algo que é contestado por deputados contrários à medida.

A medida ainda não foi protocolada no sistema da Câmara. Ela está em fase de coleta de assinaturas e foi apresentada por Cláudio Cajado (PP-BA), que foi designado relator da PEC por Motta na segunda (15) à noite, e é aliado do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL)

O texto, chamado pelos deputados de PEC das prerrogativas, tem como objetivo dar ao Congresso o poder de barrar processos criminais no STF (Supremo Tribunal Federal) contra deputados e senadores ao exigir licença prévia do Legislativo. Essa autorização terá de ser deliberada pela respectiva Casa em até 90 dias a contar do recebimento da ordem do Supremo.

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O texto original previa que essa votação fosse secreta, mas, quando esse ponto foi deliberado separadamente em plenário, acabou retirado. Foram 296 votos a favor da votação secreta e 174 contrários, mas era necessária uma maioria de 308 deputados para manter o trecho.

Depois da derrota, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), suspendeu a sessão para evitar novos reveses, adiando para esta quarta (17) a análise de mais dois destaques que poderiam alterar o texto.

Motta minimizou a derrota ao deixar o plenário, atribuindo a falta de votos ao quórum baixo dado o horário tarde da noite.

INSATISFAÇÃO COM A PROPOSTA

Há uma insatisfação entre integrantes do centrão com a atuação do PT na votação na terça (16). O partido do presidente Lula votou majoritariamente contra a proposta, irritando os líderes da Casa. O governo, por sua vez, liberou a bancada e afirmou que não iria interferir na tramitação da proposta.

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Uma das alternativas discutidas por cardeais do centrão para dar um recado político ao governo federal passa pela votação da MP (medida provisória) que amplia a isenção do pagamento da conta de luz para até 60 milhões de brasileiros. A medida precisa ser votada nesta quarta-feira (17) na Câmara e no Senado, sob risco de perder a validade.

A MP tem muito apelo popular e, diante disso, o centrão não deve derrubar a proposta, sob o risco de ser criticado na opinião pública. Uma das possibilidades discutidas está na votação de um destaque apresentado pelo Solidariedade, mas patrocinado pelo centrão, segundo relatos.

Esse destaque busca constranger o governo federal, uma vez que ele amplia a quantidade de beneficiários da medida, mas encarece a tarifa a ser paga por consumidores da classe média e de setores da indústria.

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A CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgou posicionamento contrário à votação do destaque, afirmando que isso prejudicará setores "fundamentais para a economia brasileira e os custos do novo encargo poderão ser repassados ao consumidor final, com efeitos em cascata".

A possibilidade de avançar com esse destaque foi discutida em reunião na noite de terça (16) entre Hugo Motta e líderes da Câmara após a votação da PEC no plenário, de acordo com relatos.

Além disso, integrantes do centrão defendem alterar trecho do texto, transferindo competências que seriam do Ministério de Minas e Energia para a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Esse movimento mira enfraquecer o ministro Alexandre Silveira, que virou desafeto de parlamentares da cúpula da Câmara e do Senado.

De acordo com relatos de mais de um deputado, Motta se empenhou pessoalmente para aprovar o texto --ligando para cada um por mais de uma vez ao longo da votação. Ele afirmou a aliados que a aprovação da PEC seria uma demonstração de sua força junto aos deputados, consolidando sua autoridade enquanto presidente da Câmara, e também um aceno aos parlamentares.

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