Grupo cruzou a fronteira por Roraima; Brasil participa de reuniões da ONU e da Celac sobre a crise
Cem brasileiros deixam Venezuela após o ataque militar realizado pelos Estados Unidos contra o país sul-americano. O grupo, formado por turistas, cruzou a fronteira terrestre com o Brasil pelo estado de Roraima neste sábado (3), segundo informações oficiais do governo brasileiro.
O acompanhamento da situação está sendo feito pelo Itamaraty. De acordo com a ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, não há registro de brasileiros feridos ou vítimas no território venezuelano até o momento. A embaixada do Brasil em Caracas segue monitorando o cenário e prestando apoio à comunidade brasileira.
A ministra substitui o chanceler Mauro Vieira, que interrompeu o período de férias e retornou a Brasília para acompanhar os desdobramentos da crise. As informações foram repassadas após reunião emergencial realizada no Palácio do Planalto, sob coordenação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Também participaram do encontro ministros de áreas estratégicas e representantes da diplomacia brasileira, incluindo a embaixadora do Brasil em Caracas. O governo avaliou as condições da fronteira e as medidas de proteção aos cidadãos brasileiros que ainda permanecem na Venezuela.
Fronteira segue aberta e sem restrições
O ministro da Defesa informou que a fronteira entre os dois países permanece aberta e em situação considerada estável. Brasileiros que desejarem deixar a Venezuela foram orientados a procurar as representações diplomáticas brasileiras para receber apoio logístico e consular.
Segundo o governo, não há, até agora, qualquer restrição oficial à circulação de pessoas na região fronteiriça, nem registros de incidentes envolvendo brasileiros.
Reconhecimento de autoridade e posição diplomática
Questionada sobre quem o Brasil reconhece como chefe de Estado venezuelano no momento, Maria Laura da Rocha afirmou que o país considera a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina, diante da ausência de Nicolás Maduro.
O Brasil também confirmou participação em duas instâncias diplomáticas internacionais para tratar do tema: a reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), neste domingo (4), e a sessão do Conselho de Segurança da ONU, marcada para segunda-feira (5).
Em ambos os fóruns, o governo brasileiro deve defender a soberania dos Estados e a observância do direito internacional, posicionamento reiterado em nota oficial divulgada após o ataque.
Contexto internacional
A ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela reacende o debate sobre intervenções diretas de Washington na América Latina. O último episódio semelhante ocorreu em 1989, no Panamá, quando tropas norte-americanas capturaram o então presidente Manuel Noriega.
O governo dos EUA acusa o presidente venezuelano de liderar um suposto esquema internacional de narcotráfico, alegações que não foram acompanhadas de provas públicas e são contestadas por especialistas. Antes da operação, Washington oferecia uma recompensa milionária por informações que levassem à prisão de Maduro.
Críticos da ação apontam motivações geopolíticas, como o interesse em enfraquecer alianças da Venezuela com potências globais e ampliar influência sobre o setor petrolífero do país, que concentra uma das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.